Os senhores da pintura do sul do País reúnem-se hoje em Curitiba para mostrar seus trabalhos mais recentes. Érico da Silva, Fernando Calderari e Silvio Pléticos expõem, a partir de hoje, às 20 horas, na Hemma Becke Galeria de Arte.
O vigor desse trio, todos com mais de 40 anos entre palhetas e telas, anuncia uma exposição do mais alto amadurecimento e sensibilidade artística. A arte contemporânea brasileira está nas mãos desses artistas no seu mais alto grau de representatividade.
Segundo a marchande Helena Freitas, ‘‘são três pintores que simbolizam a arte do sul do País, contribuem para a evolução do movimento artístico, incentivam os jovens pintores - os três são professores em universidades - e prestigiam seus estados.’’
Érico da Silva conta que preparou para essa mostra dez quadros com a temática já conhecida: pescadores, coroinhas - ‘‘fui um deles’’- diz -, igrejas, procissões, rebanhos, pescadores. ‘‘Nos anos 60 e 70 trabalhei muito com o abstracionismo. Foi a época dos salões e bienais. Em 71 e 72, nos Estados Unidos, foi um período abstratizante. Hoje, faço um figurativo moderno com a liberdade que a abstração me deu’’, resume.
O pintor trabalha os temas das lembranças. ‘‘Não a pleno campo, mas com a imaginação’’, conta. ‘‘Vivi muitos anos em Santa Catarina e tenho lembranças dessas paisagens.’’ As cores de Érico são, como os temas, bastante ecléticas. ‘‘Às vezes faço o mar e o céu vermelhos. E quando as pessoas me dizem que o céu e o mar não são vermelhos, respondo apropriando-me das palavras de Gauguin, quando lhe questionaram sobre uma vaca vermelha num quadro: ‘‘Mas isso não é uma vaca, é um quadro’’.
Sobre a sua produção recente, Érico define-se como um operário da pintura. ‘‘Produzo como um louco. Uma média de 25 telas por mês.’’ E são de todos os tamanhos, de 40 X 50 centímetros, até dois metros quadrados, às vezes painéis outras, mini-quadros.
Seus quadros vão para galerias no mundo inteiro. ‘‘Mas onde vendo bem é mesmo em São Paulo. São Paulo é a Meca do artista. Se a gente não vende para os paulistas, vende para os de fora que estão lá.’’
Mas Érico da Silva está dedicando-se com mais afinco atualmente ao livro ‘‘Érico da Silva’’, sobre a retrospetiva de sua obra, em 40 anos de produção. ‘‘Já está tudo pronto. Só falta a impressão’’, comemora.
Mesmo nascido no interior, mais precisamente na Lapa, Fernando Calderari especializou-se em marinhas. E ele faz isso com muita personalidade e competência. Para essa exposição, o artista plástico mostra uma série de marinhas feitas em Florianópolis. ‘‘É um estudo novo, relacionado com a luz’’, explica. Nessas telas, mesmo explorando a temática usual, aparecem mais pedras e areia. ‘‘As cores do mar de Florianópolis são diferentes, mesmo estando tão próximo ao litoral do Paraná.’’
As cores usadas por Calderari são as que mais se aproximam do real. Nesses quadros o artista não coloca figuras mas sugere: ‘‘Seja você o protagonista. Olhe o quadro como se estivesse na praia’’.
As andanças de Calderari estão levando-o a Paranaguá. ‘‘Estou me preparando para fazer um estudo sobre o Porto, seus equipamentos e movimentação. Vai ser um trabalho grande, para o fim do ano’’, anuncia.
Vindo de Pola, quando ainda pertencia à Itália (hoje Croácia), no início do século, Silvio Pléticos conta que a sua arte exprime o sentimento da saída de um local lúgubre para a libertação. ‘‘Procuro ser vanguardista. Me dedico à pintura espontânea e principalmente intuitiva. Já tenho vivência e amadurecimento para isso’’, reconhece. A pintura de Pléticos é figurativa e sempre muito comunicativa.
Considerado ‘‘o pintor de peixes’’, em Florianópolis, onde mora, Pléticos conta que faz a trasformação mental do modelo. ‘‘Não existe a finalidade representativa. A intenção de valor é puramente plástica. As cores se harmonizam instintivamente superando a realidade.’’
Aos 76 anos, o artista diz que quase não sai de casa. ‘‘Diminuí um pouco minhas atividades, quero preservar a saúde. Estou pintando, estudando e lendo bastante sobre filosofia da arte e, portanto, colocando em dúvida tudo o que aprendi. Mas uma coisa é certa: arte é vida e jamais está dissociada da estética.’’
Mostra dos mestres contemporâneos Fernando Calderari, Érico da Silva e Silvio Pléticos, na Hemma Becke Galeria de Arte, à Avenida Sete de Setembro, 6248, em Curitiba. Telefone: (41) 342-3017. Abertura, hoje, às 20 horas. Horário de visitação, de segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas; sábados, das 10 às 13h30. A mostra encerra no dia 2 de outubro.

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