São Paulo, 07 (AE) - A Europa teve Toscanini, Karajan e Celibidache. O Brasil teve Eleazar de Carvalho e está preparando sua nova geração de maestros. Amanhã e sábado, na Sala São Paulo
três jovens regentes enfrentam um programa ambicioso integrado por obras de Wagner, Britten, Bruno Maderna e Leonard Bernstein. Curiosamente, o trio de regentes começou incentivado por Eleazar de Carvalho, morto há três anos. O violinista paulistano Cláudio Cruz, o violoncelista mineiro Marcelo Ramos e o trombonista Wagner Polistchuk, de Santo André (SP), regem a orquestra do mestre, a Sinfônica do Estado de São Paulo, restaurada há dois anos pelo maestro John Neschling.
Cláudio Cruz, que ficou entre os finalistas da primeira edição do Prêmio Eldorado de Música em 1985 (com o maestro Roberto Minczuk e a soprano Celine Imbert), vai reger as "Variações Sobre um Tema de Frank Bridge", de Britten. Marcelo Ramos dirige pela primeira vez uma obra de Wagner, o "Idílio de Siegfried". Finalmente, Polistchuk rege um programa absolutamente moderno com a "Serenata n.º 2" do italiano Bruno Maderna e uma peça jazzística do norte-americano Leonard Bernstein, "Prelude, Fugue and Riffs".
O violinista Cláudio Cruz tem 32 anos e é autodidata. Não fez curso de regência, mas dirigiu a Orquestra de Câmara Villa-Lobos durante oito anos. Hoje é spalla da Osesp, mas já esteve na última estante. "Quem me trouxe para a frente foi Eleazar", lembra. Admirador de Carlos Kleiber, nem por isso adota regentes como referência (já violinistas, sim, citando os nomes de Oistrakh, Szeryng e Heifetz). "O que me interessa na regência não é o ego do maestro, mas a possibilidade de trabalhar os detalhes de cada instrumento, porque sou, antes de tudo, um violinista".
O mineiro Marcelo Ramos, de 27 anos, que vai reger Wagner, nasceu em São João del Rey. Atual asistente do maestro Sílvio Barbato, em Brasília, ele reconhece que ainda é cedo para enfrentar o autor alemão. "É sempre uma dificuldade reger Wagner por causa de sua ideologia complexa e monumentalidade", justifica o regente, que subiu ao pódio pela primeira vez para dirigir a primeira sinfonia de Beethoven, em 1995. Desde então, Ramos escreveu arranjos para vários conjuntos, entre eles o grupo de violoncelos de Yo-Yo Ma.
Wagner Polistchuk nunca dirigiu a peça de Maderna, escolhida pelo regente titular da Osesp, John Neschling, mas está pronto para reger a serenata do compositor experimental italiano, escrita em 1954. "É uma obra complicada, mas já trabalhei com peças de seu contemporâneo Berio e reger a Osesp é um sonho", diz o novo regente, casado com a soprano Rita Marques e fã de Kurt Masur e Claudio Abbado. Serviço - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Regência de Marcelo Ramos, Cláudio Cruz e Wagner Polistchuk. Sexta, às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 5,00 a R$ 20,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 223-5199

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