TRÊS FILMES, UMA ALDEIA
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de junho de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Uma velha casa construída há um século, no Alto da Glória, próxima ao campo do Coritiba, está em reformas. É ali que o cineasta Lucas Amberg pretende viver os próximos anos, agora que está de volta à cidade, depois de duas décadas passadas inicialmente entre São Paulo e Rio, e mais tarde Estados Unidos, onde estudou cinema em Los Angeles, numa das melhores universidades do planeta.
No Brasil ele está há quatro anos, mas ficou em São Paulo para conhecer o ambiente cinematográfico. Deu aulas na Faap entre 1996 a 98, e nesse ano rodou e estreou o longa-metragem O Caminho dos Sonhos. A velocidade na produção foi a herança mais visível do aprendizado americano, porém a crítica especializada foi por demais severa com sua obra. Doeu muito, confessa.
De volta à terra natal, recarrega energias enquanto dá aulas de roteiro no Espaço Socipar, em Curitiba, e trabalha em cima de três projetos que tem em mãos: Trapo, baseado na obra de Cristóvão Tezza (vou fazer um tremendo filme, tenho certeza disso); Heróis da Liberdade, baseado no livro do publicitário Ernani Buchmann e um documentário sobre Aníbal Khury, a partir do texto assinado por Roberto Novaes, Milton Ivan Heller e Rafael de Lala. Estou me ocupando desses três trabalhos, quero ver qual vinga antes.
Catarinense de Lajes, Lucas Amberg tornou-se definitivamente curitibano no tempo que passou aqui, dos 12 aos 19 anos. Nessa idade juntou suas coisas e foi a São Paulo fazer teatro. Estudou na Escola Emílio Fontana. Como estava difícil de conseguir um papel numa peça, tornou-se produtor juntamente com mais dois amigos (um deles era o dono do Teatro Major Diogo). Tinha 21 anos de idade e muito topete: em cinco meses levantou a produção de O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.
Aí, sim, finalmente chegou ao palco. Quase simultaneamente recebeu três convites, nenhum requisitando o ator, mas o produtor. Desses, Amberg lembra-se de dois: do TBC e Teatro Maria Della Costa. Ao invés de aceitar as propostas, o jovem desligou-se da peça e da empresa produtora, e embarcou ao Rio, ainda na tentativa de aprender a arte de representar.
Investiu o que tinha num curso com Wolff Maia, descobriu a direção e durante dois meses acompanhou o mestre por todo canto onde ele ia, inclusive nas gravações da novela Livre para Voar, estrelada por Tony Ramos e Carla Camurati. Do Rio, tomou um vôo para Los Angeles e a história seguiu outro rumo.
Entre 1986 a 1996 viveu seu tempo de luz. Durante os estudos realizou 14 curtas, mais oito após o curso. Cuidava da direção, roteiro e produção. Para mergulhar fundo no roteiro, passou seis semestres tendo aulas nessa matéria. Fui para lá sabendo que um dia eu ia voltar, então queria aproveitar o máximo do aprendizado.
Lucas Amberg conta que não está realizado financeiramente, mas o que tenho estocado na mente sobre cinema, é de valor imensurável. Isso sim, me realiza profundamente. Sua história é marcada pelo sucesso, mas para consegui-lo é preciso, antes de tudo, muito empenho. Sempre soube que lá na frente, alguma coisa boa me espera. Foi assim durante toda a minha vida. É inevitável que aqui vou deslanchar, porque quando a gente está em casa se sente mais protegido.


