Uma velha casa construída há um século, no Alto da Glória, próxima ao campo do Coritiba, está em reformas. É ali que o cineasta Lucas Amberg pretende viver os próximos anos, agora que está de volta à cidade, depois de duas décadas passadas inicialmente entre São Paulo e Rio, e mais tarde Estados Unidos, onde estudou cinema em Los Angeles, numa das melhores universidades do planeta.
No Brasil ele está há quatro anos, mas ficou em São Paulo para conhecer o ambiente cinematográfico. Deu aulas na Faap entre 1996 a 98, e nesse ano rodou e estreou o longa-metragem ‘‘O Caminho dos Sonhos’’. A velocidade na produção foi a herança mais visível do aprendizado americano, porém a crítica especializada foi por demais severa com sua obra. ‘‘Doeu muito’’, confessa.
De volta à terra natal, recarrega energias enquanto dá aulas de roteiro no Espaço Socipar, em Curitiba, e trabalha em cima de três projetos que tem em mãos: ‘‘Trapo’’, baseado na obra de Cristóvão Tezza (‘‘vou fazer um tremendo filme, tenho certeza disso’’); ‘‘Heróis da Liberdade’’, baseado no livro do publicitário Ernani Buchmann e um documentário sobre Aníbal Khury, a partir do texto assinado por Roberto Novaes, Milton Ivan Heller e Rafael de Lala. ‘‘Estou me ocupando desses três trabalhos, quero ver qual vinga antes’’.
Catarinense de Lajes, Lucas Amberg tornou-se definitivamente curitibano no tempo que passou aqui, dos 12 aos 19 anos. Nessa idade juntou suas coisas e foi a São Paulo fazer teatro. Estudou na Escola Emílio Fontana. Como estava difícil de conseguir um papel numa peça, tornou-se produtor juntamente com mais dois amigos (um deles era o dono do Teatro Major Diogo). Tinha 21 anos de idade e muito topete: em cinco meses levantou a produção de ‘‘O Auto da Barca do Inferno’’, de Gil Vicente.
Aí, sim, finalmente chegou ao palco. Quase simultaneamente recebeu três convites, nenhum requisitando o ator, mas o produtor. Desses, Amberg lembra-se de dois: do TBC e Teatro Maria Della Costa. Ao invés de aceitar as propostas, o jovem desligou-se da peça e da empresa produtora, e embarcou ao Rio, ainda na tentativa de aprender a arte de representar.
Investiu o que tinha num curso com Wolff Maia, descobriu a direção e durante dois meses acompanhou o mestre por todo canto onde ele ia, inclusive nas gravações da novela ‘‘Livre para Voar’’, estrelada por Tony Ramos e Carla Camurati. Do Rio, tomou um vôo para Los Angeles e a história seguiu outro rumo.
Entre 1986 a 1996 viveu seu tempo ‘‘de luz’’. Durante os estudos realizou 14 curtas, mais oito após o curso. Cuidava da direção, roteiro e produção. Para mergulhar fundo no roteiro, passou seis semestres tendo aulas nessa matéria. ‘‘Fui para lá sabendo que um dia eu ia voltar, então queria aproveitar o máximo do aprendizado’’.
Lucas Amberg conta que não está realizado financeiramente, ‘‘mas o que tenho estocado na mente sobre cinema, é de valor imensurável. Isso sim, me realiza profundamente’’. Sua história é marcada pelo sucesso, mas para consegui-lo é preciso, antes de tudo, muito empenho. ‘‘Sempre soube que lá na frente, alguma coisa boa me espera. Foi assim durante toda a minha vida. É inevitável que aqui vou deslanchar, porque quando a gente está em casa se sente mais protegido’’.

mockup