Três artistas plásticos apresentam seus projetos para o troféu do Prêmio Multicultural deste ano
Três artistas plásticos apresentam seus projetos para o troféu do Prêmio Multicultural deste ano14/Mar, 15:13 Por Ana Weiss São Paulo, 14 (AE) - Está pronta a lista tríplice de indicações para a criação do troféu do Prêmio Multicultural Estadão deste ano. Os concorrentes à assinatura da obra, a ser entregue aos vencedores do prêmio no dia 20 de junho, no Sesc Pompéia, são os artistas plásticos Albano Afonso, Lina Kim e Giancarlo Lorenci, que já estão com os projetos prontos para a escolha que será feita por uma comissão formada por coordenadores do prêmio, na sexta-feira. A concorrência para a criação do troféu, explica a curadora e crítica de artes plásticas Angélica de Moraes, que indicou os três artistas, é uma forma de tornar o ato da premiação, e o prêmio em si, um fato cultural . "Outro objetivo em se convidar artistas contemporâneos para criar o troféu é entrar em concordância com a atuação do prêmio", observa a curadora. Para ela, o conceito "desfronteirizador" do prêmio passa a estar presente também no objeto que simboliza a premiação. "Foi-se o tempo em que a estatueta de bronze cumpria esse papel, principalmente se tratando de um troféu que contempla a diversidade de meios, característica da produção contemporânea", continua Angélica, que ainda não conhece o projeto dos artistas que indicou. Embora tenham sido convidados com a mesma proposta, os três indicados criaram objetos bastante diferentes. Enquanto Lina Kim apresenta uma escultura leve, construída com sobreposição de lâminas de vidro, Albano Afonso está produzindo uma bem-humorada visão para a idéia de troféu. Uma caixa de madeira, o objeto de Afonso, guarda uma moldura do mesmo material que, por sua vez, guarda uma reprodução da Taça Jules Rimet. Lina criou uma estrutura curvilínea e espelhada. Sobre ela, colocou uma folha dourada. "Acredito que a idéia da reflexão, representada pela superfície espelhada, pode traduzir a noção de reflexão de idéias que o prêmio propõe", comenta a artista plástica paulistana, atuante desde a década de 80. Giancarlo Lorenci, por sua vez, inventou uma espécie de cubo irregular, de acrílico transparente, sobre o qual imprimiu grafismos que define como códigos distorcidos. "A idéia é fazer oposição àquele tipo de ornamentação característica das premiações", diz o artista plástico. "Assim meu projeto parte de uma forma elementar, que é o cubo". Sobre essa mesma idéia, o artista plástico fez três protótipos parecidos, mas ainda não sabe qual dos três entregará à comissão na sexta-feira. Também pintor, Lorenci foi descoberto pela curadoria do projeto Rumos Visuais, do Itaú Cultural. Uma de suas criações está exposta no núcleo "Plano Ampliado" da exposição, que está em cartaz na sede paulistana do instituto. A obra que criou para a mostra do Itaú Cultural, também com curadoria de Angélica de Moraes, apresenta sistemas gráficos semelhantes aos impressos nos protótipos que fez para o prêmio. O uso de referências à história da arte dentro de trabalhos é uma prática usual de Albano Afonso. Assim como os outros dois, Afonso apresentará, portanto, uma obra que dá continuidade ao seu projeto artístico, sua taça dentro da taça. "Os três concorrentes são artistas de ruptura", avalia Angélica. "São autores de uma produção que rompe com as categorias artísticas e ousa em muitos aspectos, como na opção pelos materiais não convencionais".





