Três anos sem o Ouro Verde. E quantos mais?
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Há exatos três anos, a notícia do incêndio que devastou o Teatro Ouro Verde abalava toda a cidade de Londrina. A mobilização de vários setores em torno da reconstrução, no entanto, foi um alento à comunidade, sobretudo artística, que esperava receber um novo teatro no dia 21 de julho deste ano. As notícias, porém, não são promissoras. O atraso nos pagamentos por parte do Governo do Estado para a empresa responsável Regional Engenharia fez que as obras começassem a ser tocadas a passos lentos em meados de outubro de 2014. Com isso, o cronograma atrasou e não se sabe quando o teatro será entregue. Tudo indica que, pelo menos neste ano, não.
Segundo informações levantadas a pedido da reportagem da FOLHA, a Pró-reitoria de Administração e Finanças da Universidade Estadual de Londrina (UEL) informou que, até o momento, já foram realizadas doze "medições" no local desde o início das obras, em janeiro de 2014. A cada medição, uma nova ordem de pagamento referente ao serviço executado é despachada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para que o pagamento seja efetuado. Seis medições foram liquidadas, conforme o Sistema do Governo (Siaf), no valor de pouco mais de R$1,1 milhão. Outras seis ainda não foram liquidadas, equivalente a R$1,9 milhão. O valor total da licitação foi de R$12,6 milhões.
Segundo Luciana Paz de Almeida, fiscal de obras da Diretoria de Projetos, Obras e Manutenção da Prefeitura do Campus da UEL, a falta de repasse fez com que a obra de reconstrução esteja apenas 35% concluída até o momento. "As obras não estão totalmente paradas. Há alguns poucos trabalhando no interior. Mas acredito que, mesmo que a empresa atue a todo vapor daqui para frente, o teatro não será finalizado este ano." A fiscal disse ainda que a empresa, agora, se concentra em terminar a parte da cobertura do teatro que deve ser daqui duas semanas , já que a infraestrutura está praticamente finalizada.
Engenheiro responsável pela Regional Engenharia, José Pedro da Rocha diz que, apesar dos atrasos nos pagamentos, preferiu não retirar todos os funcionários da obra. "Os problemas de repasse acontecem desde o primeiro semestre de 2014 e, na medida do possível, mantive homens trabalhando até então. Chegamos a ter quase 80 pessoas. Hoje, não mais que dez. A partir de agora, no entanto, não posso fazer investimentos caros sem ter a certeza de que serei pago pelo Governo. E tudo o que é preciso fazer em diante tem um custo alto, como a instalação do ar condicionado e das poltronas", pontua ele.
A reportagem entrou em contato com a Seti indagando sobre o atraso nos pagamentos. A resposta da assessoria de imprensa do órgão foi a de que existe orçamento previsto para o pagamento das já notas empenhadas, mas que quatro delas chegaram em novembro do ano passado, quando não havia mais tempo hábil para ingressar no balanço do Siaf de 2014. Por conta disso, os pagamentos não foram autorizados. Ainda de acordo com a assessoria, todas as medições já realizadas serão pagas quando abrir o Siaf de 2015, porém, não há data definida para isso acontecer.


