Três amigos disputam mulher em "Mero Acaso"
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 02 (AE) - Gwyneth Paltrow pode ter recebido o Oscar por "Shakespeare Apaixonado", mas Joseph Fiennes, que fazia o bardo, tomou de assalto os corações das espectadoras. O ano passado foi glorioso para o ator. Com apenas dois filmes, o citado "Shakespeare" e "Elizabeth", ele foi catapultado à condição de astro. Mas Fiennes fez um terceiro filme em 1998: chama-se "Mero Acaso" e estréia amanhã (03). Sim, ele olha meio enviesado para a câmera, naquele estilo que é dele e talvez tenha origem num certo estrabismo.
Não espere nenhuma maravilha, apenas um divertimento simpático, não destituído de frágil encanto. Esse decorre quase todo da alquimia entre os atores. Joseph Fiennes marca presença, mas Rufus Sewell e Tom Hollander também defendem bem seus personagens. A surpresa, agradável, é Monica Potter, uma loira que lembra Cameron Diaz. Ela tem pique, beleza. Se você é homem vai gamar, com certeza.
No original chama-se "Martha - Meet Frank, Daniel and Laurence". São três amigos em Londres. Um ator desempregado, um executivo da indústria fonográfica e um professor de bridge. Os dois primeiros vivem brigando, o terceiro faz o papel de apaziguador. As brigas quase sempre têm origem numa rivalidade de fundo sexual. Daniel vai para a cama com as mulheres que Frank gostaria de seduzir. O trio envolve-se com a mesma mulher.
Tudo começa num avião, quando Daniel cai de amores por Martha. Ela é uma americana que cansou da sua vidinha medíocre e comprou uma passagem aérea para qualquer lugar onde pudesse chegar por US$ 99. Seu destino termina sendo Londres, num vôo promocional. Ela começa abatendo Daniel, depois envolve-se com Frank e, finalmente, com Laurence. A história é narrada por Laurence, que, quando o filme começa, está tão transtornado que vai se aconselhar com o psiquiatra que mora na porta ao lado. Na verdade, há aí um quiprocó divertido, que diz respeito à identidade do tal psiquiatra, mas é bom não revelar qual é para não tirar a graça.
É um filme sobre amizade e traição. A amizade do trio fica ameaçada pelas sucessivas traições envolvendo Martha. Mais do que isso, é um filme sobre a improvisação no amor. As pessoas estão tendo sempre de adaptar-se aos momentos e circunstâncias, revendo comportamentos e idéias para aproveitar o que a vida tem de bom para oferecer. Nada que você já não esteja cansado de saber, mas esse "Pequeno Dicionário Amoroso" inglês tem charme.
Peter Morgan é o roteirista. Diz que teve a idéia de "Mero Acaso" quando saiu para jantar com alguns amigos e todos caíram de amores pela garota que um deles havia convidado. Na vida real, os amigos eram quatro. Morgan reduziu-os a três, convencido de que, em amor, dois é bom, três é demais e quatro já é uma verdadeira catástrofe.
Num outro contexto (a comédia romântica), o roteiro não deixa de assimilar certas bossas que fizeram a fama de Quentin Tarantino do outro lado do Atlântico. É um flash-back que avança até certo ponto, mas daqui a pouco não é mais um flash-back e o espectador começa a dar-se conta de que os tempos da narração foram embaralhados.
Nada muito audacioso, embora o diretor Nick Hamm não careça de certa ambição. Dirigiu um documentário sobre a crise da cultura nos 90 que tinha, entre os participantes, o dramaturgo Arthur Miller e o ator Dustin Hoffman. Em 1992, colecionou prêmios com o curta "Harmfulness of Tobacco. "Mero Acaso" não tem qualidades para consagrá-lo, mas Monica Potter e Joseph Fiennes garantem o interesse. Serviço - Mero Acaso. Comédia. Direção de Nick Hamm. Com Rufus Sewell, Joseph Fiennes, Monica Potter, Tom Hollander. Duração: 88 minutos. 12 anos. Distribuição: Pandora Filmes


