TREMENDO ROMÂNTICO
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terça-feira, 22 de maio de 2001
Nelson Sato de Londrina 
Erasmo Carlos ficou quase uma década sentado à beira do caminho. Chegou a lançar um álbum de regravações cinco anos atrás. Mas seu último disco com faixas inéditas é de 1992. Agora, a poucos dias de completar 60 anos, o legendário parceiro de Roberto está voltando ao mercado fonográfico com o CD Pra Falar de Amor (Abril Music).
A nova coleção de canções roça a cafonice romântica. Só a faixa de abertura, Seu bicho de estimação, lembra os anos dourados do pai do rocknroll brasileiro. Pitadas country despontam em Vivendo de Sonhos e Quem vai ficar no Gol?. O grosso do repertório, entretanto, afunda o ouvinte no melodismo chinfrim de fácil digestão.
Você é a senha do meu domingo / Meu ponto com sua paz, / meu bingo canta ele num verso. Erasmo assina cinco faixas sozinho, duas em co-autoria, além de interpretar composições de Kiko Zambianchi, Dalto e Marcelo Camelo (da banda Los Hermanos). A única regravação é Qualquer Jeito, uma versão que ele e Roberto fizeram para It Should Have Been Easy (de Bobby McDill e Dean Dillon) e deram para Kátia gravar.
O disco foi produzido por Marcelo Sussekind, responsável pela guitarra e loops eletrônicos na maioria das faixas. A cantora Marisa Monte aparece como convidada especial encarando um dueto com o anfitrião em Mais um na Multidão, cuja letra escreveu em parceria com Carlinhos Brown. A música já é sucesso nas rádios.
Nas fotos da capa e do encarte, Erasmo exibe as indefectíveis pulseiras no braço e a jaqueta de couro que sempre acompanharam sua trajetória desde a Jovem Guarda. De cabelos ralos e brancos, ele vai completar 60 anos no dia 5 de junho. No ano passado, foi internado no CTI depois de sofrer uma arritmia cardíaca. Aconselhado por médicos, reduziu drasticamente as bebidas alcoólicas.
É um dos poucos mitos do rock nacional. Desbravou o gênero em pleno auge da Bossa Nova. No final dos anos 50, fundou e extinguiu grupos. Fez parte do Renato e Seus Blue Caps com o qual gravou um LP. Seu primeiro grande sucesso foi Festa de Arromba, de 1964, feito em parceria com Roberto Carlos.
Um ano depois, virou apresentador de TV ao lado de Wanderléa comandando o programa Jovem Guarda na TV Record. Rebatizado O Tremendão, Erasmo alcançou o apogeu da fama emplacando sucessivos sucessos nas paradas, entre eles Gatinha Manhosa, Vou ficar nu para Chamar sua Atenção, Fama de Mau e Vem Quente que eu Estou Fervendo.
No final dos anos 60, abraçou a soul music influenciando e sendo influenciado por Tim Maia, colega no grupo The Sputniks. Foi ator nos filmes Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa, A 300 km por hora e Os Machões. A partir daí, gravou álbuns hoje considerados antológicos como Erasmo Carlos e Os Tremendões (69), Carlos, Erasmo... (71), Sonhos e Memórias (72), 1990 - Projeto Salva Terra (74), Banda dos Contentes (76), Pelas esquinas de Ipanema (78), Erasmo Carlos Convida... (80).
Voltou ao sucesso esporadicamente nos anos 80, com as músicas Mulher (parceria com a mulher, Narinha), Mesmo Que Seja Eu e Pega na Mentira. No final da década, Erasmo regravou sua A Carta em dueto com Renato Russo, da Legião Urbana. Seu último disco antes de retornar ao estúdio foi É Preciso Saber Viver, lançado há cinco anos pela PolyGram em 1996 reunindo regravações clássicas. A seguir leia a entrevista que Erasmo, uma das lendas da MPB, concedeu com exclusividade à Folha2..


