Trekking dos mais cobiçados no mundo, o caminho inca até Machu Picchu tem acesso controlado. Vigora, atualmente, o limite de 500 pessoas por dia na trilha, incluindo os carregadores. Já não é possível percorrê-la por conta própria. É preciso fazer parte de um grupo de excursão ou estar em companhia de um guia licenciado por uma das agências locais de turismo cadastradas. Essa medida já vinha sendo adotada há algum tempo, mas este ano as regras se tornaram mais rígidas. Quem quiser vivenciar essa experiência de andinismo, o trekking feito na Cordilheira dos Andes, deve se programar com bastante antecedência.
Antigamente, as agências de turismo que operam a trilha podiam realizar bloqueios frios, o que lhes garantia um determinado número de vagas para serem vendidas ao turista. A nova regra baniu essa prática.
Agora, para garantir vaga o interessado deve mandar uma cópia do passaporte e depositar um adiantamento em dinheiro em alguns casos aceita-se 50% do valor total, que gira em torno de US$ 220. Esse procedimento pode ser intermediado por uma operadora brasileira, meio mais cômodo e seguro, ou feito diretamente com as agências radicadas em Cuzco.
A medida, tomada em nome da preservação do sítio arqueológico e para tentar minimizar o impacto ambiental causado pela imensa interferência humana na trilha, foi recebida com ressalvas pelas operadoras brasileiras. ''Complicou a operação do destino'', reclama Jota Marincek, da Venturas & Aventuras. ''Agora, é preciso que o turista faça a reserva com pelo menos um mês de antecedência'', ressalta Silvio Martins, da Climb Expedições.
Ambos reconhecem, porém, que a regulamentação do acesso à Machu Picchu é de fundamental importância para a preservação de um dos lugares remotos mais espetaculares do planeta. A trilha faz parte do Santuário Histórico de Machu Picchu, área com mais de 32 mil hectares protegida histórica e ecologicamente. Rica em biodiversidade, a região abriga mais de 370 espécies de aves, 77 de mamíferos e 700 de borboleta, de acordo com informações do governo peruano.
Pioneira na operação da trilha inca no Brasil, a Climb se viu impedida de oferecer os serviços personalizados a que seus clientes estão acostumados. Antes, a operadora destacava um guia próprio para acompanhar o grupo e oferecia opções diferenciadas ao longo da trilha. Mas isso ficou inviável com a nova regulamentação, uma vez que a empresa deve acionar uma agência radicada em Cuzco para receber e guiar o grupo. ''Estamos estudando um meio de reverter essa situação para o ano que vem'', antecipa Martins.
Para as agências locais, em contrapartida, a operação da trilha inca para Machu Picchu melhorou. ''Antes havia muita especulação'', comenta Mijail Manrique, da Cusco Explorer's, uma das agências locais credenciadas pelo governo peruano. ''Quando o turista faz a reserva devidamente, ele evita inconvenientes ou mesmo a frustração de vir até Cuzco e não poder fazer esse passeio'', diz.
Ciente disso, a administradora de empresas Valéria Alves, de 29 anos, seguiu à risca as orientações contidas no site do Instituto Nacional de Cultura (INC), órgão responsável pelo regimento e pela manutenção do caminho inca. ''Fiz a reserva com uma agência de Cuzco, pela internet'', conta ela, que ingressou na trilha inca em 27 de julho.
Por meio do site do INC, o www.inc-cusco.gob.pe, é possível verificar a disponibilidade de vagas na trilha para a data desejada e, de quebra, encontrar a relação de agências cadastradas para a operação do trekking. ''Eu e mais duas amigas garantimos nossas vagas com um mês de antecedência'', diz Valéria, que adiantou o depósito de 50% do valor do trekking. ''Se deixássemos para a última hora ficaríamos de fora.''
De qualquer forma, quem preferir fechar diretamente com uma agência local deve checar tintim por tintim quais serviços estão incluídos. Os preços variam muito de uma para outra, mas nem sempre o mais caro é o mais vantajoso. Confira, por exemplo, se o pacote inclui: passagens de trem (e em qual classe); barracas, colchonetes e saco de dormir; o carregador das bagagens; o ônibus para deixar Machu Picchu, e as refeições (quais exatamente).
A opção mais cômoda, no entanto, continua sendo recorrer aos serviços de uma operadora brasileira especializada no destino. Mas não custa nada saber que, de agora em diante, definir a data com antecedência será fundamental. ''A falta de planejamento levará o turista a não viajar'', adverte Marincek.

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