Trechos do ''Scum Manifesto''
O macho é totalmente egocêntrico, enredado em si mesmo, incapaz de ter empatia ou de se identificar com os outros, inábil para o amor, a amizade, a afeição ou a ternura. É uma unidade em isolamento absoluto, que não consegue se relacionar com ninguém. Suas relações são totalmente viscerais, não cerebrais.
Sua inteligência é uma simples ferramenta a serviço do seu instituto animal, de impulsos e necessidades. Ele é incapaz de paixão mental, de interação mental. Não se relaciona com nada além de suas próprias sensações físicas. É um semimorto, uma excrescência insensível, incapaz de dar ou receber prazer ou felicidade.
Consequentemente, ele é mesmo dando o melhor de si um tédio, uma bolha inofensiva, já que só pode ter encanto quem é capaz de se concentrar nos outros. Ele está preso numa zona crepuscular a meio caminho entre os seres humanos e os macacos e consegue ser bem pior que estes, uma vez que, ao contrário dos macacos, é capaz de uma série de sentimentos negativos ódio, ciúme, desprezo, repugnância, culpa, vergonha, incerteza e sobretudo tem consciência do que é do que não é.
Se todas as mulheres simplesmente abandonassem os homens, recusando-se a ter qualquer relação com eles, todos os homens, o governo e a economia nacional desmoronariam completamente. Mesmo sem deixar os homens, as mulheres conscientes da extensão de sua superioridade e de seu poder sobre eles poderiam adquirir controle absoluto sobre tudo dentro de poucas semanas, conquistando a total submissão dos machos às fêmeas.
Numa sociedade sã, o macho trotaria obediente atrás da fêmea. O macho é dócil e facilmente conduzido, submetido sem esforços ao domínio de qualquer fêmea que queira dominá-lo. Na verdade, o macho quer desesperadamente ser conduzido pelas fêmeas, quer a mamãe no comando, quer abandonar-se aos cuidados dela. Mas esta não é uma sociedade sã, e a maioria das mulheres não é, nem remotamente, consciente de sua situação em relação aos homens.
O homem é, por sua própria natureza, um sanguessuga, um parasita emocional, e portanto não tem direito ético à vida, já que ninguém tem direito à vida às custas de outra pessoa. Assim como os seres humanos, em relação aos cachorros, têm um direito prioritário à existência por serem mais desenvolvidos e dotados de uma consciência superior, também as mulheres têm um direito prioritário à existência em relação aos homens.
A eliminação de qualquer macho é, portanto, um ato justo e bom, um ato altamente benéfico para as mulheres e também um ato de misericórdia. Entretanto, essa questão moral se transformará num problema acadêmico dentro de algum tempo, pois o macho está, pouco a pouco, eliminando a si próprio. Além de se dedicar às clássicas guerras e aos tradicionais tumultos raciais, os homens estão cada vez mais se tornando bichas ou se destruindo com as drogas. A fêmea, queira ou não queira, acabará assumindo totalmente o comando, se não por outra razão, porque não terá alternativa: o macho, para todos os efeitos práticos, não existirá.





