‘‘A inflação virtual já não diz respeito apenas à economia dos produtos manufaturados, à bolha financeira, mas à própria compreensão de nossa relação com o mundo. A partir daí, o famoso risco sistêmico já não é apenas o da falência das empresas, dos bancos, por reação em cadeia, como hoje na Ásia, mas sim a temível ameaça da cegueira, de uma cegueira coletiva da humanidade.’’
‘‘Depois de Dolly, a ovelha predestinada, logo haverá clone humanos? Por que não, uma vez que daqui até o fim do século isso será, certamente, possível e que já agora centenas de homens e mulheres pedem uma cópia de si mesmo ou a duplicação de um de seus entes queridos desaparecidos ao famoso doutor Wilmut? Dir-se-ia que a clonagem humana já está se tornando, para uma parte do público contemporâneo, uma operação tão simples quanto tirar um retrato com um fotógrafo no século passado.’’
‘‘A cibernética da rede das redes é menos uma técnica que um sistema – um tecno-sistema de comunicação estratégica que traz consigo o risco sistêmico de uma reação em cadeia dos estragos, logo que a mundialização se tornar efetiva. Se a cibernética do mercado financeiro estiver efetivamente globalizada, os crashs serão instantaneamente planetários e a catástrofe será total.’’
‘‘O que se poderia acrescentar atualmente é que esse risco sistêmico global é o que está em jogo na supremacia estratégica dos futuros ‘sistemas de armamentos’ da infowar, essa guerra eletroeletrônica declarada ao mundo pelos Estados Unidos, e que, muitos mais que os vírus e outras ‘bombas lógicas’ dissimuladas pelos piratas nos programas de nossos computadores, esse ACIDENTE TOTAL constitui o verdadeiro detonador da BOMBA INFORMÁTICA e, portanto, de seu futuro poder de dissuasão em face da autonomia política das nações.’’
‘‘Bomba atômica, bomba informática e bomba demográfica, essas três deflagrações históricas aventadas por Albert Einstein no início dos anos 60 estão doravante na ordem do dia do próximo milênio: a primeira, com os riscos de uma banalização geral do explosivo nuclear – como se anuncia nos testes indianos e paquistaneses. A segunda, com a ameaça de um controle cibernético da política dos Estados, sob a ameaça indireta de um acidente geral. Quanto à terceira, a bomba demográfica, como não concluir, também nesse caso, que se o computador é indispensável ao aperfeiçoamento da arma atômica, ele o é mais ainda para a decifração do código genético e, pois, para as pesquisas que visem a estabelecer um mapa físico do genoma humano, abrindo assim caminho para uma nova eugenia que propicie a seleção não mais natural, mas artificial, da espécie humana.’’
‘‘Diante do considerável crescimento demográfico de nosso planeta no próximo século, como não suspeitar que as experiências relativas à industrialização dos seres vivos não se limitarão a cuidar dos pacientes ou a tornar possível a procriação para os casais estéreis, mas logo levarão ao velho delírio do ‘homemnovo’, aquele que merecerá sobreviver – o super-homem – enquanto o homem sem qualidade, o primata dos tempos novos deverá desaparecer, a exemplo do selvagem de outrora, para evitar atravancar, com seu grande número, um planeta estreito, deixando lugar para o último modelo de humanidade, o Transumano, a exemplo desses legumes transgênicos muito mais adaptados a seu ambiente que os produtos naturais.’’
‘‘Já à época do ‘equilíbrio do terror nuclear’ entre o Leste e o Ocidente, o complexo militar-industrial-militar conseguiu militarizar a pesquisa científica para garantir a capacidade de destruição mútua – o conceito Mad. A partir daí, a engenharia genética toma o lugar da atômica para inventar sua bomba. Graças à informática e aos progressos da biotecnologia, as ciências da vida estão em condições de ameaçar a espécie; não mais, como antes, pela destruição radioativa do meio ambiente, mas pela inseminação clínica, pelo controle das fontes da vida, da origem do indivíduo.’’

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