'' (...) Leio e releio de memórias os relatos que estão grudados como teimosas lembranças indeléveis em 13 portas onde pobres diabos bruxas e cientistas militares loucos mulheres e homens viveram seus últimos momentos de loucura. Esta é minha sentença por ter roubado durante os sonhos a sabedoria daquele velho homem. Hoje sou eu o estalajadeiro deste mar de provações, não tendo mais o que desafiar neste colóquio de minha parte. Não sei nem mesmo mais se sou o velho ou se sou exatamente eu. Talvez tenhamos nos confundido entre tantas histórias que presumo serem sonho ou lenda ou relatos orais de viajantes. Não sei. Me valho do que roubei de mais precioso do peregrino. E abro o livro cravado nas portas, afinal.''
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''Este é o lagarto verde que me acompanha há muitos anos. Ele está encoleirado e eu o mantenho sob minha vigilância constante. Não foi difícil trazê-lo comigo até aqui, apenas algumas boas horas de paciência. Tenho convivido com ele desde a perda de um grande amor. Ele não se incommoda com as minhas manias. Nem mesmo arregala os olhos ou mexe um membro sequer quando aperto um pouco mais a coleira. Não tenho medo de perdê-lo, de ver sua presença derramar-ser pelos dedos de minha mão, como tenho com os humanos.''
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''Tal qual um ilusionista, vi pelas copas destas árvores incompreensíveis jorrarem incontáveis litros do líquido que não havia mais nas terras de onde fugi. Ainda não tenho certo se vi mesmo minha réstia de alma refletida na alma d'água. Meus pés ligeiros, afoitos, de criança me levaram para longe dali onde poderia ter somente a escuridão para sossegar a cegueira de meus olhos. Tenho poucas reminiscências agora sobre líquidos de afogar a sede. Meu corpo está seco e os cabelos crescem enchendo o quarto de uma espera sem sentido. Nem mesmo chorar é possível o tempo, o tempo (onde estará a fonte que outrora habitava em mim) enquanto os ventos de tempestade forçam a janela. Estou desnudo.''

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