TRECHOS DO LIVRO
''O que eu mais aprendi no mosteiro foi fazer faxina. Monja zen-budista no Japão faz muita faxina. Limpa até o que está limpo. Há vidros, jardins, vasos, salas, banheiros, roupa para lavar à mão, roupa para passar, comida para preparar, esgotos para limpar. E ainda tem o coração.
Ah! É preciso olhar bem pertinho cada cantinho, tirar as teias de aranha, os pensamentos perversos, as maldades, as tramóias, as mentiras, as calúnias, as injúrias, as invejas. Tanta faxina!
Quando comecei a particar o zen-budismo, minha mãe ficou preocupada.
'Não é uma lavagem cerebral?', ela me perguntava.
Eu, tão desbocada, dizia:
Tomara que haja bastante sabão, cândida e água.''
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''Há quem adore falar com os mortos. É tão legal falar com os vivos. Não é preciso esperar que morram para ouvi-los, para falar, pedir perdão, para querer aprender, para doar. Há seres maravilhosos hoje, agora, ao seu lado, em você. Pare e olhe para eles. Encontre e ouça sua voz mais doce e verdadeira. É preciso encontrar, neste plano, neste instante, em cada ser, a graça do 'interser.''
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''A melodia do trânsito pesado da metrópole confusa é uma poluição sonora. São ônibus balançando e sacudindo carroceria. Nos buracos, carros, carroças, caminhões e motocicletas balançam. São os vagões barulhentos do metrô. Isso nos afeta de maneira grandiosa. Todos falando mais alto, as músicas no volume máximo, e todos estressados, correndo desesperados, sem porde melhorar. Se pudermos investir no som que faz bem, contribuiremos para diminuir a violência e a carência e aumentar a ternura.''





