'Todo santo dia, Haruo e a família levantavam bem antes do sol nascer. Com enxadas e outros instrumentos de trabalho, chegavam na lavoura com as primeiras luzes da alvorada. Revolviam a terra, abriam covas, semeavam, capinavam, arrancavam ervas daninhas, podavam as plantas, aguardavam sob o sol e a chuva, sob o frio e o calor o amadurecimento dos frutos, e colhiam. Ao fim da jornada, quando o sol já havia sumido no horizonte, voltavam para casa. Antes que a noite terminasse, já estariam novamente a caminho da roça. Essa era a rotina. No Lote 1 trabalhavam todos, sem exceção.'
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'Tudo começou com uma pequena máquina fotográfica adquirida de José Juliani, que Haruo dizia ser ''de brinquedo''. O fotógrafo, pioneiro como Haruo, era o artista que emoldurava as cenas primitivas que o engenho do colonizador fazia surgir do sol. Funcionário da Companhia de Terras, Juliani fazia o registro fotográfico, em frágeis negativos de vidro, da paisagem em construção de Londrina. A Haruo ele deu as primeiras instruções de como fotografar, revelou seus negativos, fez as cópias e ofereceu uma amizade duradoura. ''A cada 10 fotos, apenas 3 saíam boas'', anotou Haruo em seu diário. Mal sabia Juliani que aquele principiante se faria mestre de sua arte.'

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