''Poder e dinheiro têm charme e atraem, dizia tia Rosa Soledade. Ah! Olhos de repórter, isso eu sei que ela tinha: indagavam antes mesmo da boca se manifestar. Andar sereno, fala mansa, devia ter um metro e oitenta de altura e agachava-se para conversar com cada sobrinho como fazem os guatós, de igual para igual. Bem, mas as maneiras encontradas por ela para se informar através de um noticiário mais decente consistiam em comprar jornais de outras localidades (não era muito ligada em assistir televisão) e ter por hábito sintonizar rádios de fora''
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''A tia Rosa Soledade tinha certeza de que o Raposo Felpudo sabia de fatos graves envolvendo governantes e alguns personagens ilustres da sociedade: acontece que usava certos expedientes para a notícia não vir a público.
Que expedientes?
O jabaculê, por exemplo.
O que era isso?
Isso siginificava silêncio ou conivência, em troca de dinheiro ou favores políticos - respondia, secamente.
Ela afirmava que ele adorava publicar, na coluna ''Monólogo'', variedades do tipo:
''Coreano inventa paletó que se autoperfuma.''
''Americano cria pimentão totalmente sem gosto.''

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