‘‘Os padres tocando violinos se aproximaram dos cinco mil cegos presos na cratera circular, e os padres foram retirando os cegos e introduzindo os cegos em tonéis de gasolina. Os padres transportaram rapidamente os cegos para os tonéis, introduziram cinco ou seis cegos num tonel e martelaram os cegos nos tonéis e depois tamparam os tonéis. Os padres enlatavam um grande número de cegos e depois de alguns instantes conseguiram introduzir dez cegos num tonel. Os padres se dividiram em três grupos de cinquenta cada um; os que tocavam violino, os que transportavam os cegos para serem enlatados e aqueles que martelavam os cegos até a boca do tonel ficar livre de cabeças e braços e a tampa poder ser introduzida. Os padres que tocavam violino interromperam a música e se lançaram furiosamente contra aqueles que martelavam os cegos. Os padres usavam os violinos como armas e os outros padres martelavam os padres de violinos. Os padres agitavam os violinos acima da cabeça e se lançavam uns contra os outros. Eu me atirei no rio e fui levado pela corrente. A corrente do rio girava e subia, e eu flutuava batendo contra as cabeças de cavalos, binóculos e bonzos budistas queimados. Eu montei num bonzo budista queimado e procurei me libertar da corrente que girava e corria um grande número de animais mortos. No centro do redemoinho eu vi aparecer um olho de pedra e eu procurei remar furiosamente e emergia do centro do redemoinho a cabeça de concreto da Estátua da Liberdade.’’
‘‘Eu continuei apertando o acelerador e percebi que Marilyn sentia medo; ela se encolheu no canto do banco e seu cabelo louro voava levado pelo vento. Marilyn gritou, e eu apertei o freio e o Jaguar estacou subitamente. Marilyn foi levada para frente e bateu com a cabeça de leve no pára-brisa. ‘‘Ai...louco!’’, disse Marilyn e saiu do Jaguar batendo a porta. Eu voltei a acelerar o carro e me afastei deixando Marilyn Monroe ao lado da murada. Eu acenei para ela e dobrei a curva. Eu apertei novamente o acelerador até o fundo e as árvores passavam velozes ao meu lado e eu via a estrada desaparecer sob as rodas do Jaguar. Eu continuei acelarando o Jaguar e o motor zunia transpondo as curvas. O Jaguar veloz saltou com um estrondo para fora da murada e eu vi o mar sob as rodas. O Jaguar continuou deslizando e eu vi longas asas brancas saindo das duas portas, e o rufar das batidas ritmadas e lentas das asas brancas. Eu vi as vagas no seu movimento e as amplas asas do Jaguar permanecerem retas e horizontais e o carro planar alguns instantes e logo em seguida realizar uma curva. Eu voltei na direção da estrada que eu havia passado e vi a alguns metros abaixo Marilyn descendo a avenida junto à murada. Eu acenei para ela e ela parou alguns instantes olhando para o céu, onde eu estava sendo levado pelo meu Jaguar alado. As amplas asas batiam ao meu lado e eu prosseguia olhando a praia lá embaixo, as janelas minúsculas dos edifícios, as ruas e as avenidas.’’

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