‘‘Toda vez que me vejo no meio de uma multidão de pessoas, penso em insetos. Não sou o primeiro que observa esta semelhança, mas levo um susto quando a situação confirma esta sensação. Uma recepção oficial é um exemplo de um mundo de insetos que se debatem entre si - os vestidos enormes das mulheres têm as cores brilhantes das asas dos besouros pretos que passeiam pelo esterco. Diante dos bufês sempre cheios, as pessoas devoram como se fossem insetos. Misteriosamente ninguém consegue manter-se à margem, a pessoa é levada, empurrada a se comportar subitamente como um besouro faminto, seguindo o exemplo das pessoas presentes’’.
‘‘Eu não fiquei nem pouco desapontado porque perdemos a (primeira) guerra. O que me desiludiu foi ver que as pessoas suportaram e toleraram anos a fio essa guerra, que ninguém tenha ouvido as poucas vozes que se levantaram contra a carnificina’’.
‘‘Quantas pessoas moram mesmo em cada um de nós? Uma, no andar de cima, outra, no meio, e uma terceira no andar de baixo? Talvez uma quarta amarrada em uma sala fechada qualquer? Desconfio da psicologia e da psicanálise. Esclarece-se este ponto, esclarece-se aquele outro, tenta-se chegar a lugares secretos do coração e impulsos humanos. Afirmo que se pode tentar descrever o demônio no ser humano, mas não é possível dissecá-lo’’.
‘‘Num mundo no qual o espírito comercial domina, o artista pensa com prazer na figura do mecenas, esse incentivador ideal das artes. Hoje em dia a arte é uma mercadoria que com a ajuda da publicidade bem feita vende exatamente como se fosse sabonete, toalha ou escova de dentes’’.
‘‘Certamente, a espada da polícia era o símbolo da autoridade. Claro que com a espada não se discute, mas mesmo invisível ela permanecia pendurada sobre nossas cabeças. Ela apenas substituíra a palmatória da nossa juventude do colégio’’.

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