Trechos do livro
Sem Destino era um filme de estrada que se dirigia diretamente ao coração de muita gente. Era uma confirmação de que a história do pós-guerra estava num divisor de águas. Os anos sessenta haviam testemunhado mudanças sem paralelo tanto no campo social quanto no econômico e no cultural. Se fosse preciso definir um lema para a época, este seria: Nada é verdade e tudo é permitido, slogan que sintetiza o sonho da contracultura de construção de um paraíso aqui na Terra. Fiel a este sonho, mas impregnado de um pessimismo fatalista, Sem Destino mostrava não só onde o Paraíso e o Inferno podiam estar, como também, mais dolorosamente, onde a Queda havia começado.
Da abertura informal no bar Contenta, no México, ao rápido e gratuito assassinato de sua cena final, Sem Destino mantém um clima quase contínuo de documentário. Em suas estréias, respectivamente como diretor e produtor, Dennis Hopper e Peter Fonda conseguiram criar uma poderosa experiência visual. A fotografia, a montagem rápida e concisa e o diálogo minimalista podem ter sido estimulados pelo sucesso e pelo impacto do 2001 Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, lançado em 1968. A supremacia conferida ao aspecto visual da narrativa expôs Sem Destino às críticas de superficialidade, pretensão e obscuridade. Mas, como ocorreu com 2001..., a controvérsia em torno destes pontos atraiu um público maior.





