TRECHOS DO LIVRO

Renascença
‘‘A Missa Assumpta est Maria, uma das mais famosas de Palestrina, permanece uma obra de serenidade impressionante. É música que não interfere com o sentimento religioso, com o espírito de contemplação e meditação. Bem ao contrário, pode ser descrita como uma oração musicada. Certamente por isso, Palestrina tornou-se uma espécie de compositor oficial da Igreja Católica, e sua arte encontra lugar mais apropriado no serviço religioso do que na sala de concertos.’’

Barroco
‘‘Dicionários e histórias da música costumam explicar que ‘barroco’ é palavra de origem portuguesa, significando uma jóia ou pérola de formato irregular. O termo teria sido usado para descrever um estilo no qual, às vezes, a profusão de ornamentos e detalhes esconde a estrutura de uma obra. Mas estes são conceitos teóricos. Na arte em geral e na música, o que o Barroco realmente significa é um poderoso impacto emocional, o desejo de subjugar os sentidos através de uma emoção muito forte.’’

Classicismo
‘‘Em termos puramente cronológicos, o Classicismo em música não durou muito: ele vai da morte de Bach (1750) até as primeiras obras ‘revolucionárias’ de Beethoven (começo do século XIX). Mas essa realidade ‘matemática’ é ilusória: assim como o Barroco, ou o Romantismo, o Classicismo representa uma tendência permanente do espírito humano, sendo imemoriais suas raízes estéticas. Quem diz ‘clássico’ – em música como em outros terrenos – pensa em equilíbrio, em senso de forma, em algo duradouro.’’

Beethoven
‘‘Na história da música ocidental, não há nenhum capítulo tão poderoso quanto o que se resume em Beethoven. Trata-se de um capítulo à parte; e tão forte que não se encaixa em nenhum estilo: Beethoven é Beethoven. Ele faz a passagem entre duas grande épocas: o Classicismo e o Romantismo. No entanto, não é totalmente correto afirmar que Beethoven passou do Classicismo para o Romantismo. Ele passou pelo Classicismo, pelo Romantismo e terminou num estilo que foge às classificações: o seu último estilo.’’

Romantismo
‘‘Embora Beethoven, em música, tenha feito a passagem do Classicismo para o movimento romântico, não se pode considerá-lo um romântico característico. A marca do romantismo musical é muito mais forte outros compositores – como Schumann, Liszt e Chopin. Esse é realmente um mundo novo, que assume aspectos distintos conforme o autor. Pois uma das grandes características do artista romântico é o individualismo. Ao contrário dos clássicos, que seguem uma tradição, uma escola, o romântico, antes de tudo, consulta o próprio coração.’’

Impressionismo
‘‘Pode-se encontrar em estado puro a estética do Impressionsimo na coleção dos 24 Prelúdios para piano, de Debussy. São pequenos ‘momentos’, descritos com a mão muito leve, com um colorido insuperável. Tudo o que se diz sobre essa estética sugere uma arte ‘casual’. Não é bem assim – ou, melhor, não é nada assim. Debussy comentou isso certa vez, dizendo: ‘Vocês acham que eu descubro um acorde simplesmente jogando a mão sobre o piano. Mas eu posso passar uma semana inteira trabalhando um acorde.’’’

Modernismo
‘‘Ao longo de toda essa obra crucial (‘A Sagração da Primavera’), Stravinsky trabalha com célula rítmicas que desafiam o fluxo normal do discurso musical. Somos levados a ‘pensar’ no ritmo, a ‘sentí-lo’, de um modo que não acontecia antes, quando ele era apenas um dado, uma espécie de contexto necessário para que o discurso evoluísse. (...) É fácil perceber, a essa luz, que o século XX pertenceu ao ritmo – mesmo quando não se trata de revolução estética. A batida do jazz é tranquila e regular; mas é ela que comanda o jorro das improvisações. E esse domínio chega a ser quase caricato num tipo de música pop que tem no ‘bate-estaca’ sua característica principal.’’

mockup