Trechos do livro
‘‘Você chora, se descabela, decora canções românticas, faz macumba, escreve cartas, aluga as amigas. Até que um dia, decide: chega de perder tempo por causa de homem. De agora em diante você é cool. Adeus joguinhos de sedução bobocas, adeus papos de relação patéticos, adeus cobranças. Adeus apelidinhos de rádio-patroa! Adeus ar de vítima, adeus desejos de vingança!
Em sua nova fase cool, por exemplo, você não vai mais fazer placar para ver quem ligou mais. Evitará a histeria. Uma garota assim dá um rolê solitário sem se sentir abandonada. Se o rapaz vacila, a moça não se irrita: vê isso apenas como reflexo da sua fraqueza. Mandar ele para o inferno? Imagina, cool. Chamar ele de canalha? Que isso, cool. Totalmente inglesa.
E enquanto isso... o resto do mundo está onde sempre esteve: imerso numa baixaria emocional. Aquele seu pretê mente para suas 34.949 namoradas, o outro é um galinha-falso, as mulheres-vacas se atiram em qualquer ser vivente. E você, a mulher twin-set, acaba com cara de cool. Sabe aquelas boas verdades que você queria dizer para um certo guri?
Ficam para sempre entalatadas na sua garganta. Só que depois que você encarnou o tipinho blasé, é impossível recuar. Imagine só, aquela mulher cool se transformar numa Glenn Close, cobrando definições. ‘Será que ela vai jogar ácido no meu carro ou pular da janela?’, pensará o seu querido Michael Douglas. (Infelizmente, dentro de todo moderno existe um Michael Douglas.)
Resultado: o seu vanguardismo comportamental estragou o seu caso de amor à moda antiga, que era o que você queria. E você percebe que foi ridícula. Porque ser cool é ótimo, se você é. Se este não é o caso, desista de fingir. Mesmo porque, se não for honesta consigo mesma, você poderá se dar mal porque fingiu que não estava nem aí. E – baixarias à parte – viva as ofensas bem merecidas!’’
‘‘ Cuidado com quem você leva para seu quarto. Você é liberal, parabéns. Mas você - mulher - não precisa se comportar como um homem idiota. Mulheres ‘comedoras’ são tristes. É claro que um bom sexo casual não faz mal a ninguém. Mas vamos com calma! Não ser submissa não é imitar o pior dos homens.’’
‘‘Sabe aquela barriguinha de chope que a maioria dos nossos pretendentes têm? E que nós achamos o maior charme? Pois é. É justamente nessas
adiposidades abdominais que está localizada uma das maiores injustiças entre homens e mulheres. Simplesmente porque é negado à mulher o direito de ter barriga. Nem uma barriguinha sequer. Por isso nasceu o movimento Barriga Power, destinado a liberar a barriga feminina... E viva as calças de cintura baixa.’’

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