‘‘Contraditoriamente, a manifestação artística que melhor propaga o País em todo o mundo é justo a menos agraciada oficialmente por leis de incentivo, subsídios, reserva de mercado ou quaisquer outras medidas de apoio, em seu próprio território ou no exterior. O mecenato cultural, no Brasil, diante dos lobbies do cinema, do teatro, das artes plásticas e da literatura, jamais teve qualquer política específica para um do seus mais exportáveis produtos.’’
‘‘Primeiro, conquistou-se o mundo. Na sequência, ampliou-se o espaço dentro de casa. Novos nomes apareceram, mesclando influências e assumindo experiências das mais simbióticas. Vítimas da Aids, Cazuza e Renato Russo mal tiveram tempo de cantar em outras plagas - mas o repertório que deixaram tem uma longa estrada pela frente. Chico Science, revelação pernambucana, morreu num acidente. E formações como Os Titãs, Os Paralamas do Sucesso e Skank, além de Lulu Santos, são um significativo cartão de visitas da música jovem que se faz hoje no Brasil.’’
‘‘Mas o que será exatamente música brasileira? Como definir a identidade de um gênero musical? É do falecido maestro Lindolfo Gaya a melhor resposta para esta pergunta: ‘pelo ritmo; um acorde é universal, uma sequência de notas - a melodia - também; mas pelo ritmo se sabe de onde uma música vem.’’’

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