Augusto de Campos

''Para mim, a poesia é uma operação rigorosa e o poema não pode ter absolutamente uma palavra que não se justifique por sua função estética. Meu lema é o de Webern: nom multa sed multum. Qualidade, não quantidade''.


Régis Bonvicino

''Acho que os poetas discutem verdadeiramente pouco e que se o concretismo ainda impressiona é menos por suas forças e mais pela fraqueza prospectiva das novas gerações, incluindo a minha, que, de fato, propõem muito pouco. De um modo amplo, acho sim a poesia brasileira atual formalista, no sentido de que se vale irrefletidamente de formas alheias, de percepções alheias (experimentais ou não), no sentido de que não quer 'violentar' nada, como dizia o Caetano tropicalista. Não há ambição formal ou de conteúdo ou de pensamento, até mesmo entre os que tiveram antes estas inquietações!''

Carlito Azevedo

''Se os novos poetas têm alguma coisa em comum é o fato de estarem todos falando a partir do mesmo 'lugar', que é o da cultura, ao contrário dos poetas dos anos 70, que falavam a partir do 'lugar' da experiência. Para usar uma metáfora da sala de aula, o poeta dos anos 70 era aquele último da classe, que adorava matar aula para ir namorar, viver, poetar. Já o poeta dos anos 90 parece aquele menino primeiro da classe, que não perde aula, disputa autoridade com o professor e adora ostentar, nas indefectíveis 'notas sobre o autor' de seus livros, o número de línguas que fala, a quantidade de livros que já traduziu e os ensaios que já publicou''.

Nelson Ascher

''A boa poesia seja lá o que for é um acontecimento estatístico. Às vezes, numa língua português, swahili, lituano, tâmil surge uma dúzia de bons poetas e, muito raramente, aparecem alguns poucos grandes''.

Jaques Brand

''Em sistemas literários de baixo grau de organização institucional, como os nossos, prospera muito a baixa intriga, o golpismo, os esquemas extraliterários de poder, que tolhem inevitavelmente o desenvolvimento da própria criação. O preço que cada sociedade paga pode ser a frustração de seus jovens talentos. O poeta é, por excelência, uma pessoa sensível, que murcha em clima hostil. Precisamos de instâncias mais bem organizadas para a recepção da obra nova. Não me refiro à atuação dos aparelhos estatais, que fazem até mais do que devem pra estimular o autor novo. A universidade, que reúne respeitável massa crítica, poderia atuar bem mais, na estruturação de um campo literário menos confuso, menos entrópico, mais instigante...Um efeito curioso dessas distorções é que todo autor aqui já aparece como maldito''.

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