TRECHOS DE CRÔNICAS
Confira a seguir, o pensamento de Arnaldo Jabor sobre as relações políticas
``Crime hediondo cometem os governos e prefeituras que não têm planos, estratégias urbanas e sociais para acabar com o absurdo dos morros cariocas, das periferias de São Paulo, dos alagados e charnecas imundas do país. Crime é que isto não seja uma prioridade nacional, crime é que não haja alocação de bilhões de dólares para se fazer uma guerra política e social, e não meras operações policiais inócuas e escravistas. A tragédia das periferias brasileiras me lembra um terremoto ignorado, para o qual ninguém enviou patrulhas de salvamento. Já houve um terremoto e todos nós tentamos esquecê-lo, subindo grades em nossas casas, com os socialites cheirando o pó malhado de otários, para perpetuar esta miséria``.
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``Há um negativismo crônico no pensamento brasileiro. Paulo Prado contra Gilberto Freyre. Para eles, a esperança é sórdida; a desconfiança é sábia: `Aí tem dente de coelho, `alguma` ele fez...`. Jamais perdoarão ao FHC ter abandonado a utopia tradicional e aderido à `realpolik`. Quase nenhum `progressista` tentou ajudá-lo nesta estratégia. Quem tentou foi queimado como áulico ou traidor, pela plêiade dos canalhas e ignorantes. Talvez tenha sido um dos maiores erros da chamada `esquerda`, talvez a maior perda de oportunidade da história``.
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``A América odeia ambivalências, só raciocina por `ou/ou` e nunca por `e/e`, mas agora vai ter de pensar ambiguamente, porque é o seguinte: como poderemos ter fregueses, se eles morrerem todos? Precisamos que os países emergentes se desenvolvam para comprar nossos produtos, mas não podemos deixar que desenvolvam a ponto de não precisarem mais de nossos produtos. Temos de manter os doentes vivos, consumindo, sem morrer. Este é o desafio máximo do capitalismo americano hoje``.





