Trechos de ''Contrafogos''
O que está em jogo hoje é a reconquista da democracia contra a tecnocracia: é preciso acabar com a tirania dos especialistas, estilo Banco Mundial ou FMI, que impõem sem discussão os veredictos do novo Leviatã, os mercados financeiros, e que não querem negociar mas explicar; é preciso romper com a nova fé na inevitabilidade histórica que professam os teóricos do liberalismo.
A crise de hoje é uma oportunidade histórica, para a França e sem dúvida também para todos aqueles que, cada dia mais numerosos, na Europa e no mundo, rejeitam a nova alternativa: liberalismo ou barbárie.
A revolução conservadora assume hoje uma forma inédita: não se trata, como em outros tempos, de invocar um passado idealizado, através da exaltação da terra e do sangue, temas arcaicos das velhas mitologias agrárias. Essa revolução conservadora de tipo novo tem como bandeira o progresso, a razão, a ciência (a economia, no caso), para justificar a restauração e tenta assim tachar de arcaísmo o pensamento e a ação progressistas. Ela constitui como normas de todas as práticas, logo como regras ideais, as regularidades reais do mundo econômico entregue à sua lógica, a alegada lei do mercado, isto é, a lei do mais forte. Ela ratifica e glorifica o reino daquilo que se chama mercado financeiro.
Globalização não é uma homogeneização, mas, ao contrário, é a extensão do domínio de um pequeno número de nações dominantes sobre o conjunto das praças financeiras nacionais.





