John Barry
...''Não adianta reclamar de tendências de mercado e apelações de merchandising. O cinema sempre viveu delas desde os primeiros anos de sua existência, nunca negando ser um negócio incrivelmente bem sucedido. Mas a prova de que é preciso um mínimo de critérios na busca de uma questionável 'modernidade' transparece vergonhosamente na trilha de 'A View To a Kill' (007 na Mira dos Assassinos, 1985). Confinar John Barry com o grupo Duran Duran no mesmo estúdio foi no mínimo crueldade. Em outras ocasiões, a presença de astros pop entoando os temas principais, como Tom Jones (em Thunderball), Nancy Sinatra (em You Only Live Twice) ou Rita Coolidge (em Octopussy), não tirou de Barry o controle sobre o material composto e arranjado, mas com a febre pelo chamariz de canções pop/rock no início dos anos 80, a integridade musical das trilhas ficou bem mais ameaçada. A saída do compositor na compulsória parceria com a música pop do Duran Duran, foi a resignação e a criação de um comentário musical de simples funcionalidade sonora sem a chance de maior mérito artístico...''



Elmer Bernstein
...''Mesmo não sendo a primeira trilha de jazz do cinema, 'The Man With the Golden Arm' (O Homem do Braço de Ouro, 1956) é a mais importante no gênero devido ao sucesso de seus temas e por ter invadido um território até então reservado à música sinfônica. Uma ousadia que não foi vista com bons olhos na ocasião, por alas mais tradicionalistas. Bernstein com uma mãozinha do trompetista Shorty Rogers nos arranjos criou uma das maiores jóias da história das trilhas sonoras. Com seu embalo rítmico envolvente e clima ameaçador, o tema principal tornou-se um standard da música de cinema. Espécie de símbolo de cinema ''sério'' e autoral. O feeling visceral desse e dos demais temas impressiona na sugestão do drama opressivo vivido pelo protagonista Frank Machine, baterista viciado em drogas. A utilização de uma orquestra tradicional dificilmente teria a mesma expressão torturada conseguida com o abraviso toque do jazz...''

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