''Era esse banquete de inteligência, coragem e cultura que fazia a singularidade de Francis. Como um texto podia ser tão descontraído e sério ao mesmo tempo? Apesar dos defeitos, entre os quais não estava o de escondê-los, Francis tinha esse trunfo de certo modo, o mesmo da bossa nova ou do futebol nacional, pelos quais não demonstrava muito interesse e dele decorria seu poder de mudar mentalidades, de influenciar sensivelmente os leitores, de fazer cabeças, mesmo as que não dominavam muitos dos seus assuntos principais. Talvez tenha sido o último jornalista com esse poder. Em grande parte, isso era também porque, apesar de ter sonhado ser romancista ou dramaturgo, sua crença no jornalismo era enorme; e ela, somada à sua personalidade intensa, produzia impressões e pensamentos em alguns parágrafos que valiam por muitos e muitos livros, de autores brasileiros''.

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