Trecho do livro ''O menino da Caravela''
''Vagueando pela sala, havia muitos morcegos, que deram algumas voltas no ar e saíram, espantados, por uma vigia que se encontrava aberta.
Tais morcegos eram enormes, as suas asas coloridas, e Evneia sorriu para eles, como se estes tivessem sido, até a sua chegada, os anjos da guarda dos homens da caravela que, como se disse, estava agora transformada em galé.
Grampo olhou pela vigia ovóide e ficou pasmado. Embora fosse noite, viu lá fora um mundo maravilhoso.
Um sol brilhante lançava os seus raios sobre o azul das águas marinhas.
Perto, sentada num pequeno rochedo que saía do mar, uma sereia cantava uma melodia triste e traiçoeira, chamando pelos marinheiros duma caravela que passava ao longe.
Os cabelos desciam-lhe ao longo do corpo nu, ficando-lhe a meio da cintura e balouçando à medida que esta abanava a cabeça, como o faz um lobo, ao uivar, perdido na noite.
Mais longe, sobre novo rochedo, três outras sereias cantavam em couro, enquanto mais algumas entravam e saíam da água, deixando, por vezes, a sua cauda à vista, durante rápidos segundos.
Assim, a pique, estas caudas assemelhavam-se aos periscópios dos submarinos, uns tubos donde os tripulantes observam e vigiam o que se passa à superfície das águas.
(...) Nós entramos numa caravela. Agora falam em visitar os forçados. Ora, segundo meu pai me disse, os forçados eram os homens que moviam os remos das galés e que as caravelas não tinham remos.
Sim, as caravelas apenas tinham um remo para acostarem nas praias depois de folgadas as velas, e que era retirado quando voltavam a fazer-se ao mar. Chamava-se leme de esparrela. Tu aqui, porém, irás estar umas vezes dentro duma caravela, outras dentro de um galeão e outras, ainda, dentro duma galé. Aqui tudo poderá acontecer!...''





