Trecho do livro de Inimá Simões
No dia 30 de julho, Constâncio Montebello deixa registrado um poder de síntese cavalar, escrevendo que o filme é a história de Macunaíma, um preto que vira branco e vai para a cidade dar vazão aos seus instintos sexuais, voltando depois para a selva, de onde viera, e que se danem as centenas de teses e ensaios sobre o livro e a obra de Mário de Andrade.
(...) No mesmo dia, num gesto de grande presteza, o Coronel Aloysio Muhlethaler, cuja passagem curta e grossa pela censura nunca foi devidamente reconhecida, baixou uma portaria contendo os cortes indicados pelo Serviço de Controle de Diversão Pública (SCDP):
1ª parte - CENA DO BANHO COLETIVO NO RIO: retirar as cenas em que a jovem aparece com os seios nus. RETIRAR as cenas em que aparece NITIDAMENTE, nas vestes da jovem, o símbolo da Aliança para o Progresso.
2ª parte - CENA DA GARAGEM: deixar apenas 14 fotogramas da sequência em que aparecem os seios nus da jovem guerreira.
3ª parte - CENA DA REDE: retirar as cenas em que aparecem as nádegas nuas até quando o jovem rola sobre a amante.
CENA DA MAMADEIRA: cortar a sequência em que aparecem os seios nus, na ocasião em que a guerrilheira se volta.
CENA DAS ESTÁTUAS VIVAS: cortar todas as estátuas (pseudo-estátuas) com os seios à mostra.
4ª parte - CENA DA ESTÁTUA VIVA: cortar a cena em que aparecem os seios desnudos da pseudo-estátua, quando a mesma se volta. Excluir, totalmente, o diálogo contendo adivinhação onde a mulher tem os pêlos mais encaracolados?. Excluir totalmente o diálogo sobre a adivinhação juntar pêlo com pêlo para cobrir o pelado.
PECADOS CAPITAIS





