Leia a seguir trecho inédito do primeiro capítulo do livro ''1961: Que as Armas Não falem''
''É bom lembrar que a ideologia movia o mundo naquele tempo em que os russos instalavam mísseis em Cuba, marines americanos nos davam todo suporte à invasão da ilha de Fidel e os alemães orientais cortavem Berlim ao meio com um muro enorme.
Jânio esboçou um equilibrismo delicado nesse contexto: adotou uma política econômica afinada com as regras do Fundo Monetário Internacional com quem JK havia rompido dois anos antes, freando a inflação com o rigor do monetarismo, mas descolou a política externa do modelo determinado pelos Estados Unidos. A ousadia provocou o seguinte comentário do secretário de Estado norte-americano:
Se o Brasil quer se dar ao luxo de ter uma política externa independente é porque pode; os Estados Unidos não podem.
No esforço de renegociar a dívida externa brasileira, o presidente mandou o americanófilo Roberto Campos à Europa Ocidental, o nacionalista Walter Moreira Salles a Washington e João Dantas, o influente diretor do Diário de Notícias, percorrer o Leste europeu. E em sua primeira mensagem ao Congresso chamou a atenção para outro confronto, além do que separava comunistas e capitalistas: o conflito Norte-Sul. Acabar com a diferença entre o Norte rico e o Sul pobre, disse ele, 'é um imperativo de sobrevivência de uma sociedade internacional em que as nações tenham de escolher o seu destino' , imaginando que o choque entre o Leste e Oeste iria restringir-se, cada vez mais, 'ao campo das atitudes ideológicas''

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