''O conservadorismo expresso sem meias palavras marcou continuamente suas declarações, em que a defesa da família, da pátria e da moral cristã eram as balizas fundamentais. É importante frisar que, mesmo quando a televisão já incorporava temas mais abertos liberação da mulher, homossexualidade, drogas, aborto, divórcio , Cavalcanti manteve inalterado seu discurso. A televisão no Brasil tende a incorporar, sob sua tutela e 'post facto', temas discutidos na sociedade, tendências emergentes já aceitas ou em via de aceitação, levando o conservadorismo ao limite do permitido, já que lida com a questão mercadológica em que a audiência é peça-chave. Flávio, na contramão, mantinha seu discurso no limite máximo do conservadorismo trazendo tais temas à baila apenas para reforçar seu caráter desviante e negativo. No fim da década, por exemplo, a Globo levava ao ar seriados que apresentavam formatos mais modernos em que eram discutidos temas como o divórcio, liberação da mulher, violência nas grandes cidades, aborto: ''Malu Mulher'', ''Carga Pesada'', ''Plantão de Polícia''. Ficava cada vez mais clara a tendência da Rede Globo em vender sua imagem ligada à modernidade, mais na forma do que no conteúdo dos programas. Se Flávio Cavalcanti critica John Lennon abertamente, apesar do seu enorme sucesso, a Rede Globo incorporava a parte de John Lennon que a interessava, tornando-o compatível ao seu padrão e às suas mensagens. Algumas das declarações de Cavalcanti reforçam o que foi dito: ''Sou tão quadrado e tão conservador que acho que homem tem de cantar como homem e mulher como mulher que me desculpem Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Simone...''; ''Acho que em porta de maternidade todo mundo deve torcer para nascer ou homem ou mulher... nada diferente disso.''

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