‘‘Sampaio já sentia a defasagem entre ele e o grande público, que só o identificava como autor do ‘Bloco’, sem demonstrar entusiasmo por suas outras criações. Isso o levava mais e mais, a esquivar-se de apresentações ao vivo. Nessa época, chegou a interromper no meio um show no Teatro Opinião, no Rio, sem motivo aparente.
No camarim, repetia nervosamente: ‘Não volto pro palco’. Consta que foi Luiz Melodia quem deu prosseguimento ao espetáculo. Por outro lado, a Philips, no esforço de divulgar o LP, continuava agendando compromissos que o cantor quase nunca estava disposto a cumprir: ‘Àquela altura, nós percebíamos que acontecia uma coisa estranha: cada vez que o Sérgio ia no rádio, ou na TV, o disco vendia menos.’ ‘Ele passava um astral pesado, eu tinha certeza que por defesa, timidez, despreparo, mas o fato é que ele passava uma coisa antipática, em todo o lugar que ia.’’ (Menescal)
Esse processo chegou ao máximo na entrega do ‘Troféu Imprensa’, o ‘Oscar brasileiro’, promovido pelo programa Sílvio Santos. Presente a nata da classe artística, todos trajando a pompa que a ocasião pedia. Todos, menos Sérgio, vestindo uma jaqueta surrada, sobre uma peça de pijama de cor laranja (emprestada por Cora), calça Saint-Tropez (de Mauro Porru) batendo nas canelas, com um cinto amarrando duas tranças nos cabelos.’’

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