‘‘Só faltava calendário, cronograma oficial. Em nosso Estado-mirim ninguém governava. Algumas ‘leis’ apareciam como vento, que de maneira, também natural, eram obedecidas. Para cada brincadeira havia uma data, uma ‘época’, como dizíamos. Não havia dia para começar, mas de repente lá estavam as pipas coloridas no céu ou os piões zunindo no chão. O ano todo era nosso. Não éramos obrigados a votar, pois os líderes surgiam da livre vontade.
Soltar papagaio, rodar pião, jogar betes, bafo, bolinha-de-gude, mãe-da-rua... Brincávamos em regime democrático. Nossa auto-gestão era admirável. Ninguém nos dava os peixes; tínhamos que pescar. (...)’’

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