Trecho de Frankenstein (ou o Prometeu Moderno)
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Por Mary Shelley 
Vi abrir-se o olho amarelo sem brilho da criatura. Ela respirava com dificuldade, e um movimento convulsivo agitava seus membros. Como posso descrever minhas emoções ante aquela catástrofe, como rescrever aquela ruína que eu, com esforço infinito e zelo, havia tentado formar? Seus membros eram bem proporcionados, e eu havia escolhido e trabalhado suas feições para que fossem belas. Belas! Meu Deus! Sua pela amarela mal cobria o relevo dos músculos e das artérias que jaziam por baixo; seus cabelos eram corridos e de um negro lustroso; seus dentes, alvos como pérola. Todas essas exuberâncias, porém, não formavam senão um contraste horrível com seus olhos desmaiados, quase da mesma cor acinzentada das órbitas onde se cravavam, e com a pele encarquilhada e os lábios negros e retos.


