Com certeza você conhece a história de Pinóquio, aquele boneco de madeira que cada vez que contava uma mentira o nariz crescia. Embora seja mais conhecida através de um desenho animado de Walt Disney, a história de Pinóquio na realidade tem mais de 100 anos de idade. Ela foi criada por um escritor italiano chamado Carlo Collodi.
Collodi não escreveu a história em forma de livro, mas em forma de capítulos que eram publicados semanalmente no jornal italiano ''Giornale dei Bambini'' em 1882. Somente depois ''As Aventuras de Pinóquio'' foi publicado em livro, encantando leitores de vários países do mundo.
Apesar de ganhar notoriedade com Pinóquio, Carlo Collodi (cujo nome verdadeiro era Carlo Lorenzini) escreveu dezenas de histórias para crianças. Algumas delas estão reunidas em ''Histórias Alegres'', obra que acaba de ser publicada ela Editora Iluminuras. São oito contos bem-humorados que trazem moral educativa em seu conteúdo.
Quase todos os contos são protagonizados por garotos entre oito e dez anos de idade. São meninos que passam por diversas situações complicadas por desejarem ser mais do que são. Precisam, por experiência própria, viver uma série de problemas e dificuldades para beberem algumas gotas de juízo.
Em ''Uma Fantasia de Carnaval'', três irmão fogem de casa para irem a um concurso de fantasias. Desobedecendo a mãe, acabam a noite numa delegacia de polícia. ''Quem Não Tem Coragem Não Vai Para a Guerra'' conta a história de um garoto metido a corajoso que é capaz de inusitadas artimanhas para manter sua fama de mau. Mas no fundo ele tem tanto medo quanto as outras crianças.
Em ''O Homenzinho Precoce, ou Seja: A História de Todos Aqueles Meninos Que Querem Parecer Homens Antes do Tempo'', Collodi conta as peripécias de um garoto que não queria ser mais criança imitando o comportamento dos adultos. Após várias tentativas ridículas, ele aprende a não bancar o bobão e ser aquilo que é.
O conto ''O Pequeno Advogado Defensor dos Meninos Preguiçosos e Sem Orgulho'' é o mais engraçado do livro. Trata-se da história de Masinho, um garoto que tinha todos os ''defeitos'' de sua idade: ''desobediente, guloso, preguiçoso, dorminhoco, inimigo da água para lavar as mãos e o rosto, coberto de manchas e rasgões em todas roupas que vestia, vendedor de mentiras no atacado e no varejo, tagarela, impertinente, respondão e implacável adversário dos livros e da escola.''
Com esse currículo, Masinho resolve escrever um documento apontando como achava que os adultos deveriam agir com as crianças, principalmente pais e professores. Coisas como as mães deixarem os filhos dormirem até mais tarde e faltar na aula, os pais defendendo que os filhos não devam fazer tarefa, professores dando dez aos alunos que erram todas as questões das provas e assim por diante. Mas nem tudo sai como ele imagina.
Collodi também conta a história de um esperto macaquinho chamado Pipi. Desde pequeno ele é chegado numa estripulia. Ainda pequeno perde o rabo ao provocar um jacaré. A própria família acredita que, pelas suas atitudes, ele possa um dia virar ser humano. Vivendo aventuras fantásticas, aprende como se comportar depois de muita confusão.
Concluindo ''Histórias Alegres'', Carlo Collodi conta suas memórias da infância, mais exatamente lembranças da escola. Era o maior bagunceiro da sala. Após várias lições amargas, finalmente aprendeu a se comportar melhor - e acabou levando esse aprendizado para suas histórias.
Infelizmente o livro ''Histórias Alegres'' não traz nenhuma ilustração em suas páginas, apenas na capa. Também, infelizmente, traz um prefácio que só adulto entende...
• ''Histórias Alegres'', de Carlo Collodi, Editora Iluminuras, tradução de Gabriella Rinaldi, apresentação de Silvia Oberg, 128 páginas, R$ 23,00.

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