São Paulo - A próxima temporada de férias em São Paulo deve contar com um marketing turístico diferente. A São Paulo Turismo, órgão oficial de turismo da cidade, vai lançar um manual de saúde com com dicas de hospitais, exames e clínicas locais. Nada a ver com aqueles folhetos de propaganda espalhados nas salas de espera de clínicas médicas. Como num guia turístico que se preze, as informações de saúde serão floreadas com sugestões de compras e lazer. ''A idéia é vender a cidade em feiras internacionais com produtos de saúde de qualidade'', explica Tasso Gadzanis, vice-presidente da São Paulo Turismo. ''Essa exploração turística está começando.''
O projeto, desenvolvido com a Câmara Municipal, é resultado de um mercado que vem crescendo no País inteiro: o turismo de saúde. A operadora CVC foi uma das primeiras a apostar no setor, criando em 2003 o segmento Roteiros de Saúde, Bem-Estar e Lazer, com sugestões para 22 lugares no País, incluindo spas médicos.
Centros de saúde vêm se organizando e se adaptando para receber o paciente do exterior. Há um mês, por exemplo, oito instituições se uniram para tentar criar um consórcio com o governo. Em 16 de junho, hospitais como o Sírio Libanês, Samaritano (ambos em São Paulo) e Moinhos de Vento (em Porto Alegre), a empresa L+M Arquitetura (especializada em projetos hospitalares) e a Associação Brasileira de Medicina Intensiva apresentaram para a Agência de Promoção de Exportações (Apex), do Ministério do Desenvolvimento, a idéia de divulgá-los em congressos e feiras internacionais. A expectativa é que uma resposta positiva da Apex chegue a qualquer momento.
''Nosso padrão é de qualidade internacional e nossos preços, três a dez vezes inferiores aos grandes centros de saúde de fora'', conta Maurício Ceschin, superintendente corporativo do Sírio Libanês. Já o Instituto do Coração está entre os que mais têm investido em publicações no exterior. No ano passado, o número de trabalhos publicados em revistas internacionais (203) não ficou tão atrás das nacionais (314).
Oficialmente, passaram em 2003 pelo Brasil 4,7 milhões de turistas estrangeiros. Desses, 47 mil vieram para tratamentos médicos. Em 2001, para se ter idéia do crescimento, foram 4.700. Não existe ainda um cálculo total do valor deixado pelos estrangeiros nos serviços de saúde. Nem as especialidades mais procuradas.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica uma das poucas que calculam o número de pacientes estrangeiros , 2% das 800 mil cirurgias plásticas realizadas no País no ano passado foram feitas em pacientes de outros países. ''A idéia é que em cinco anos seja o dobro'', diz Oswaldo Saldanha, secretário-geral da sociedade.
O fato é que clínicas das mais variadas especialidades e hospitais têm registrado quantidade cada vez maior de pacientes estrangeiros. O Hospital do Coração, que atende dez pacientes de fora por mês há seis anos eram dois -, principalmente no setor de diagnósticos, tem seu próprio manual para quem vem de fora, com dicas de compras e lazer. ''São informações essenciais para o paciente que vem de longe, assim como para o acompanhante'', conta Wilson Miguel, da superintendência do HCor. Entre as dicas, listas de hotéis, shoppings, serviços de táxi e até de igrejas próximas do hospital.
Em Manaus, a clínica odontológica Smiling Dental Care (sim, o nome é em inglês) tem registrado nos últimos dois anos uma porcentagem alta de estrangeiros: 10% do total. Há dez anos, o dentista Marcelo Rezende, dono da clínica, percebeu o filão e começou a se aproximar do mercado hoteleiro e de agências. Entre as atrações da clínica, funcionários bilíngues e equipamentos capazes de impressionar qualquer paciente arisco.
De olho no turista que vem para o Brasil se submeter a tratamentos de complexidades mais simples, a IT Viagens de Incentivo, em São Paulo, criou um pacote especial com lançamento oficial em agosto que oferece check-ups. O básico inclui ainda duas noites de hospedagem, transporte e resultados enviados pelos Correios. Preço por pessoa, a partir de R$ 1.700.
No Rio, diante da grande procura, clínicas da cidade acabam assumindo um papel de faz-tudo, seja contratando um serviço para buscar o turista no aeroporto ou indicando profissionais para acompanhar o paciente no pós-operatório. No Hospital da Plástica, em Botafogo, na zona sul, mais de 40% dos 180 pacientes operados em janeiro ''tinham ligação com o exterior''.

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