A quinta edição do Festival Mundial de Circo, que começou dia 19 em Belo Horizonte, vai receber amanhã um representante londrinense para uma apresentação coletiva, reunindo grupos nacionais e franceses. A Troupe Tangará levou três integrantes para um difícil número de trapézio em balanço. As apresentações se repetem no sábado e domingo em três espaços abertos da capital mineira. O grupo é o único representante da região Sul convidado para participar.
''O trapézio em movimento como fazemos é muito difícil de se encontrar no Brasil, e é fruto de um trabalho de pelo menos cinco anos'', explica Carlos Tangará, coordenador do grupo, lembrando que o número é executado a dez metros de altura e sem rede de proteção. ''Quando o público assiste à apresentação muitas vezes não percebe que foram preciso anos de treinamento e dedicação para chegar a esse resultado'', complementa.
Embora tenha sido criada há apenas três anos e seu nome ainda seja desconhecido do público local, a troupe já acumula em seu currículo a participação em dez festivais, como o Curitibano e o de Limeira. Também já venceu por duas vezes o prêmio de incentivo à arte circense da Funarte - o que possibilitou apresentações em diversas cidades do interior do Paraná e São Paulo - e participou do Festival Internacional de Teatro (Filo) em 2007.
A troupe é formada por 16 pessoas, e foi fundada por Carlos, sua filha Juliana Tangará e Pedro Giovani Queisada. Carlos é da quarta geração de uma família de trapezistas, já integrou circos brasileiros e de países como Argentina e Chile e se estabeleceu em Londrina após ajudar a fundar a Escola Municipal de Circo. Por conta disso, Juliana, 24 anos, morou e trabalhou em circo até seus 18 anos - oito deles no circo do Beto Carreiro.
Já o conhecimento e vivência circenses de Pedro, 22 anos, vieram de um projeto social. ''Comecei tendo aulas em um projeto nos Cinco Conjuntos, onde moro. Fui me destacando, fiz ginástica olímpica e quando surgiu a Escola de Circo, me especializei'', relata o jovem. Atualmente, outros dois integrantes também são provenientes de projetos sociais.
O trabalho do grupo mescla características do circo tradicional com o novo circo, utilizando elementos como o trapézio, a corda indiana, acrobacias, casting americano (também difícil de se encontrar no País) e a parte cômica. Dentre os integrantes, há quem tenha experiência com teatro, dança e artes cênicas, o que contribui para montar um espetáculo diferenciado. ''Nós estamos montando um novo espetáculo, ''Pândega'', que deve ser apresentado em agosto em Campo Mourão. É algo mais próximo do novo circo do que nossos trabalhos anteriores'', revela Juliana.
A troupe também participa de um projeto social do Instituto Aguativa e faz apresentações em eventos diversos (só abertura de jogos escolares foram seis este ano). ''Muitas vezes a maior barreira é a falta de foco profissional por parte de quem vai nos contratar. As pessoas ainda têm que aprender a ver o circo como uma expressão artística, e não como um simples entretenimento'', comenta Carlos, que tem apostado em um trabalho mais profissional para vencer essa barreira.

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