PRODUÇÃO TRANSTORNO BORDERLINE NAS TELAS Distúrbio psiquiátrico é utilizado como metáfora em filme do diretor paranaense Ricardo do Nascimento. Estréia deve acontecer em dezembro Divulgação‘‘Borderline’’, que ainda está em fase de captação de recursos, remete a reflexões de comportamento Elisa Marilia Carneiro De Curitiba A delicada linha limítrofe entre o transtorno psiquiátrico Borderline e a normalidade chega às telas do cinema por intermédio do filme homônimo. Com produção, direção e grande parte do elenco formado por paranaenses, o filme está em fase de captação de recursos. A previsão de estréia é para dezembro. Segundo o diretor e roteirista Ricardo do Nascimento, o transtorno Borderline é usado como metáfora para propor uma séria reflexão sobre a violência urbana. ‘‘As pessoas que desenvolvem a doença têm uma aparência de normalidade constante, mas com episódios rápidos de despersonalização’’. Como exemplo, Nascimento cita o rapaz que matou no cinema de um shopping em São Paulo. ‘‘Apesar das referências e do título, esta produção utiliza-se do tema exclusivamente como metáfora para discutir a banalização e a espetacularização da violência urbana. Além de tratar de um grave problema nacional, o roteiro propõe a não-violência – o filme não tem cenas violentas –, na medida em que sugere ao espectador avaliar sua própria participação neste processo crescente e neurotizante que a violência incorporada ao cotidiano’’, adverte Para o diretor, o perigo maior é que tudo parece normal, quando, na verdade, não é. ‘‘Não há estatísticas precisas, mas estudos norte-americanos indicam que cerca de 10% da população mundial têm predisposição para desenvolver psicoses e paranóias. Os produtores do filme pesquisaram o distúrbio numa vasta bibliografia e pela Internet. Apenas para ilustrar como o tema é recorrente, os produtores citam que a cantora Madona tem uma música com o nome ‘‘Borderline’’; no início do filme ‘‘Cães de Aluguel’’, de Quentin Tarantino, os personagens discutem o assunto; no filme ‘‘Girl, Interrupted’’, pelo qual Angelina Jolie concorre ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, a protagonista sofre de Borlerline; David Bowie descreve o distúrbio na música ‘‘Sound and Vision’’; o grupo de vanguarda inglês Teenage Atari também tem uma música chamada ‘‘Borderline’’; e o ator Clarles Bronson foi protagonista de um filme cujo título é ‘‘Borderline’’. Além disso, os cineastas consultaram um psiquiatra e um psicólogo para orientar os atores, que entre os confirmados estão Carlos Vereza, Tereza Seiblitz, Antonio Grassi e Danton Mello. Outros 14 atores e atrizes são do Paraná. Somente o ator Sinval Martins está confirmado. O orçamento total do filme é de R$ 970 mil. Quase 40% já foram captados. O projeto será executado com as leis de incentivo à cultura, Municipal, Rouanet e do Audiovisual. ‘‘Estamos procurando as empresas do Paraná, prioritariamente. Pretendemos, ainda, com essa produção, usar as empresas de prestação de serviços e técnicos locais’’, adianta o diretor.