BNegão & Seletores de Frequência voltam hoje a Londrina para lançar seu mais recente trabalho em um show que promete muitas novidades. TransmutAção, terceiro álbum da banda, apresenta novas visões e sonoridades, resultado dos últimos experimentos dos integrantes do grupo. Com uma trajetória marcada pelo crossover de funk com rap, o resultado, agora, é uma mistura de todos os ritmos quentes que já vinham tocando e um pouco mais. Um pouco, não. Muito mais. O show acontece hoje, na Chácara Vale das Palmeiras, a partir das 16 horas, e também tem a participação do DJ Frá, além da banda de reggae Raul Reis e a Praia do Aterro, que realizará o pré-lançamento do primeiro CD da banda.
Recém-saído do "forno", TransmutAção - o álbum foi lançado em setembro nas plataformas digitais em streaming e também para download – sintetiza a infinidade de sons de vários estilos, sobretudo da música negra universal, ao mesmo tempo em que reforça a versatilidade da música brasileira. O disco traz beats inusitados do futuro junto a ritmos e melodias ancestrais da ciranda. No meio disso, muito tambor típico dos terreiros de candomblé. Há, ainda, faixas com combinações inéditas do surf rock com referências ao etíope Mulatu Astatke, considerado pai do ethio jazz. O disco tem, também, faixas instrumentais com samba-jazz e uma versão gafieira-fumegante de "Fita Amarela", de Noel Rosa.
Mas não para por aí. TransmutAção tem composição com um dub no que eles classificam como "despressurização da mente" e homenageia algumas das maiores influências do rapper: Darcy Ribeiro, Tom Zé e Professor Hermógenes. E quem acha que a banda deixou o passado para trás, o funk com rap continua muito presente nas faixas "No Momento (100%)" e em "Mundo Tela", os candidatos a hit deste disco.
Diante de tudo isso, Bnegão garante que o show é o disco ao vivo 100%. O projeto, que inclui o álbum, shows de lançamento e oficinas para alunos de escolas públicas, recebeu patrocínio do edital nacional do Natura Musical, programa que patrocina projetos culturais pelo País há dez anos.

Serviço:
Show TransmutAção - BNegão & Seletores de Frequência
Quando – Hoje, a partir das 16 horas
Onde - Chácara Vale das Palmeiras (R. Orlando Fabrini, 106)
Quanto - R$ 40 (2º lote)

ENTREVISTA
O que esperar deste novo trabalho da banda? Desde o início da nossa "parada", sempre existiu esse lance de alquimia sonora. Fazemos isso desde sempre. O primeiro trabalho, por exemplo, tem rap, tem hardcore, samba. Tem de tudo ali. Somos uma galera dos anos 90 e todos tivemos banda nesse período. Por isso, cada um tem influência de vários estilos. Colocamos, então, tudo isso no nosso som de hoje. Funk e rap é uma das características que sempre estão em nosso trabalho e vão continuar. Então esse não é um trabalho totalmente diferente como o nome sugere? É e não é. TransmutAção vem a somar tudo o que já produzimos, pois já tínhamos vários sons. E, apesar de termos muito funk e rap nas composições, não é nossa definição; nem 100% e nem 50%. Nossa definição é música negra universal. Todas as matizes que saem da sonoridade africana estão dentro do nosso sistema. No que se destaca TransmutAção? Ele traz surf rock que nunca tínhamos feito e jazz africano. Também tem essa coisa de utilizar percussão de terreiro. Quer dizer, até já fizemos tudo isso, mas está bem mais forte agora. Acho que essas são as características mais marcantes. Como foi o processo de pesquisa desse trabalho? Estávamos preparando um disco de música instrumental e quando surgiu a história do projeto Natura Musical, o disco rolou. Mas tudo começou do zero. Há quanto tempo estão nesse projeto do disco? Fizemos o disco em três meses; acabamos de produzir há seis semanas. E é tudo de agora, não tem nada antigo. O público de Londrina pode esperar surpresas? Do mesmo jeito a gente nunca está. Sempre estamos abertos à mudança e o TransmutAção é isso: para tocar as músicas não tem como estar do mesmo jeito. Em Londrina, vamos fazer o lançamento do disco mesmo, tocar as músicas inteiras na ordem que estão no álbum. É o disco ao vivo 100%. Depois disso vêm as músicas antigas. Vai ter muita música, pelo jeito. São quarenta minutos, mais ou menos, com as sete músicas do disco novo. E depois os clássicos, pelo menos, mais uma hora. E com certeza tem o bis. Se deixar, a gente não para de tocar.
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