O mundo pode não acabar, como revelam algumas previsões catastróficas sobre o futuro, mas, cada vez mais, os homens do século 21 viverão numa outra dimensão profetizada pelo guru desta nova era, Jeff Gomez. O midas da narrativa transmídia anuncia que a ficção será apenas uma arena de ensaio da realidade.
Já não basta mais ler o livro e assistir ao filme. É preciso colecionar HQs do produto original, se divertir com os jogos, postar mensagens no twiter e facebook e participar de fóruns na web.
''Transmídia é um nome novo para algo que já existe. São as diversas possibilidades de convergência de mídias. Um exemplo interessante deste fenômeno é o filme Chico Xavier. O longa-metragem foi trabalhado, desde o início com um tratamento de marketing, criando uma campanha muito bem amarrada'', compara o professor de Marketing e Propaganda da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Fábio Dias.
Essa campanha ajudou a transformar ''Chico Xavier'' na maior bilheteria da história do cinema nacional desde 1995, com 590 mil espectadores na primeira semana, superando as 570 mil pessoas que assistiram ''Se Eu Fosse Você 2'' (2009).
Antes de estrear nas salas de cinema ''Alice no País das Maravilhas'', (2010), de Tim Burton, também já era sucesso. Graças às novas plataformas de entretenimento e ao marketing musculoso utilizado pela Disney, como o vazamento das primeiras fotos e thriller na web, imagens do set e páginas oficiais no twiter e facebook.
A mesma tática é usada por seriados de TV como ''Smalville'' e ''Heroes'', que ''exploram'' os fãs com um arsenal de subprodutos: filmes para celular, videogames e até comunidades virtuais.
Em vez de uma audiência passiva, o telespectador é levado a participar cada vez mais, ajudando a escrever a história.
''O público principal é o jovem, que é mais ligado na internet, mas os de mais idade de alguma forma também farão parte disso. O meu pai, por exemplo, comenta o que viu na internet e, sem saber, está participando deste fenômeno'', comenta Dias.
E a ideia nem é nova: em 1900, o escritor Lyman Frank Baum pensou nisso ao lançar ''O Maravilhoso Mágico de Oz'', uma série de livros baseados nos principais personagens que foram parar no cinema. George Lucas também, em 1977, descobriu que poderia adaptar ''Star Wars'' para várias plataformas.
O professor Dias explica que esta nova realidade é construída coletivamente, mas o Brasil ainda tem grandes desafios para enfrentar. Segundo dados do Ibope Nielsen Online, 66,3 milhões de brasileiros têm acesso à internet. ''Existe uma preocupação de favorecer a inclusão digital à frente da cultural. As pessoas não sabem aproveitar as informações disponíveis. Acredito que a inclusão digital e cultural precisam caminhar juntas''.

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