A utopia de uma rádio alternativa inspira artistas e pensadores de diversas áreas da cultura. Mas as idéias, os projetos e as experiências que os mobilizam raramente vêm a público. O encontro ''Radiofórum - em busca de um rádio inventivo'', que acontece de hoje ao dia 20 em Londrina, é uma tentativa de difundí-las reunindo alguns dos mais inconformistas estudiosos desse meio de comunicação.
''O objetivo do Radiofórum é oferecer informações, vivências e práticas de uma rádio inventiva. Queremos mostrar que esse veículo é capaz de produzir, criar e não apenas reproduzir. Para isso, convidamos a nata da vanguarda radiofônica no Brasil e no mundo'', diz Janete El Haouli, diretora da Casa de Cultura, organizadora do evento.
A abertura fica por conta da carioca Vera Terra, pianista e compositora, que interpretará no palco do Teatro Ouro Verde obras do compositor norte-americano John Cage, para rádio e piano. A atração mais aguardada, porém, é o finlandês Harri Huhtamaki, premiado na área de rádio-documentário. Outro nome importante é Chico Melo, curitibano radicado há mais de 20 anos na Alemanha.
Entre os participants figuram ainda José Augusto Mannis (São Paulo) e Mauro Costa (Rio de Janeiro). A programação inclui concertos, oficinas, debates, intervenções radiofônicas em bares da cidade e um cabaré radiofônico. Os ouvintes-participantes terão a chance de ouvir, refletir, praticar e ter acesso a propostas e produções realizadas na Europa, Canadá, EUA e América Latina.
O público poderá desfrutar, também, de espaços de escuta, onde serão disponibilizados ''cardápios radiofônicos'' com produções que vão do rádio-jornalismo à poesia sonora, passando por esculturas sonoras radiofônicas. ''Na verdade, muito do que será apresentado já foi feito nos anos 20 e nas décadas de 40 e 50 por artistas como John Cage, Antonin Artauld e Glen Gould'', assinala Janete.
De acordo com ela, as tendências mais radicais da música contemporânea - como a música concreta, a música eletrônica e a música eletroacústica - nasceram a partir de gravações em estúdios de rádio da França e da Alemanha. ''Não estamos inventando nada. Pretendemos, assim, refletir sobre as possibilidades de uma anti-rádio propondo a desconstrução de um modelo estagnado'', salienta.
O encontro é destinado a estudantes e profissionais do rádio, música, teatro, comunicação, literatura, cinema e outras áreas que possam escutar e pensar o rádio como instrumento de criação e não apenas de reprodução. Toda a programação é gratuita.

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