TRANSGRESSÕES DA IMAGEM
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de outubro de 2000
Elisa Marilia Carneiro De Curitiba 
A construção da imagem e o sentido ilimitado da criação estão magistral e técnicamente bem representados na mostra Linguagens da Imagem, na Casa Vermelha, que faz parte da 3ª Bienal Internacional da Fotografia.
O impacto que a fotografia pode provocar começa na série do fotógrafo Vick Muniz, logo no hall de entrada do espaço cultural. Conhecido pelas fotografias de desenhos com açúcar queimado, Vick promove um diálogo entre os objetos de desejo e os gestos desses objetos, em Menino com o Presente.
Frontalmente umas às outras, estão as fotos dos desejos ocultos e, as dos meninos que criaram esses objetos com papelão. Dezoito meninos do Projeto Axé (Bahia) participaram desta mostra, que ainda colocou em sacos pretos, entre as fotos, os próprios objetos construidos pelos meninos. Curitiba é a segunda cidade que vê essa exposição. A primeira foi São Paulo.
Subindo as escadas, o cotidiano das artes manuais é visto em dois enormes painéis fotográficos, de Rochelli Costi, intitulados Mãos de Ouro. As fotos gigantes, de 1,77 X 1,77 e 0,05 metro, são de bordados em crochê. A primeira proposta seria de ela vir a Curitiba fazer esse trabalho com os bordados ucranianos. Mas não houve verba suficiente para isso, contou o curador da Bienal Orlando Azevedo.
Interferências incontroláveis feitas por fungos em negativos, compõem os quadros de Iatã Cannabrava. Os fungos agiram desencadeando imagens fantasmagóricas mas estéticamente interessantes, remarcando a ausência de perenidade na fotografia.
Um trabalho mais antigo de Miguel Rio Branco, de 1970, revela em preto e branco, montagens com mandíbulas de animais e faces humanas recortadas. Seguindo a mesmo tema proposto pela Bienal, O Caos da Violência ou a Violência do Caos, os fotógrafos Odires Mlászho e Rogério Ghomes mostram cicatrizes. As de Ozires, feitas de retratos sobrepostos e as de Rogério, do próprio corpo, depois de um acidente de trânsito, que ficam expostas coloridas em back light.
Uma literal construção da imagem é o que o fotógrafo Marcelo Zocchio propôs para a Bienal. Uma pirâmide colorida foi montada a partir de fotografias, em baixa velocidade, de multidões. Dois painéis imensos são dezenas de ampliações em papel fotográfico, com mãos em cenas que se multiplicam e um cachorro que parece brincar com essas mãos.


