Renata Carvalho identifica-se com a parábola do filho pródigo: "Assim como o personagem desta história bíblica, fui expulsa de casa pelos meus pais"
Renata Carvalho identifica-se com a parábola do filho pródigo: "Assim como o personagem desta história bíblica, fui expulsa de casa pelos meus pais" | Foto: Saulo Ohara


Ativista do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) há mais de duas décadas, Renata Carvalho, 33 anos, tem uma história pessoal que não foge às estatísticas da comunidade que representa no palco com a peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu". Interpretando Jesus, a atriz que aparece em cena contando histórias bíblicas como "O Bom Samaritano", "A semente de mostarda" e "A Mulher Adúltera", diz ter se identificado de forma arrebatadora com a versão trans da parábola do filho pródigo.
"Assim como o personagem principal desta história bíblica, sou filha caçula e fui expulsa de casa pelos meus pais. Eles não entenderam minha transição que aconteceu quando eu tinha 27 anos e apesar de meu pai me dar dinheiro escondido da minha família, me vi obrigada a me prostituir para conseguir sobreviver" relata.
Além de trabalhar como atriz, Renata atua como voluntária de um programa municipal de saúde junto á comunidade LGBT de Santos (SP), sua cidade natal. "É muito triste perceber que ainda hoje as duas únicas opções de trabalho para essa classe seja a prostituição ou os salões de beleza. É uma realidade que precisa ser mudada", salienta.
Renata conta que já trabalhava com artes cênicas quando decidiu se travestir. "Mesmo no meio artístico, que teoricamente é menos preconceituoso, tive que vencer vários obstáculos até conseguir me impor. Quando me tornei travesti, aos 27 anos, deixei de atuar em muitas produções por não haver papéis para mim. Tive que trabalhar como diretora para depois voltar a atuar. Também dou curso de maquiagem e enfrentei muito preconceito até conseguir me impor como professora. Mas infelizmente nem todas as trans têm esse tipo de oportunidade", ressalta.
Renata diz que sua atitude política a levou a assumir-se como travesti. "Nem sei quando me dei conta de minha identidade transexual. Me sinto enquadrada no perfil de trans, que é mais aceito pela sociedade e que é usado no caso de homens que nascem com uma mentalidade feminina. Mas faço questão de me apresentar como travesti que é uma ala da comunidade LGBT que sofre ainda mais preconceito", frisa.
Ciente da polêmica que o tema ainda desperta, Natália espera que a peça que estreou ontem em Londrina abra espaço para debates que ajudem que mudar a forma como os transexuais são vistos pela sociedade. "Não queremos mexer com a religiosidade de ninguém. Queremos apenas conversar sobre esse assunto. Aproveito para convidar os londrinenses para um bate-papo com a produção da peça que será realizado domingo (hoje), às 14 h30, na Biblioteca Municipal de Londrina", conclui. (M.R.)

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