Tramas de seda
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quinta-feira, 22 de março de 2012
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
O artista curitibano Valdir Francisco já trabalhava com tramas ao utilizar arames e fios de cabos telefônicos coloridos em suas esculturas quando, por volta de 1991, descobriu as potencialidades estéticas contidas num casulo do bicho-da-seda.
O impacto da experiência perdura até hoje. De lá para cá, elegeu os fios e tecidos da seda como materiais nobres em suas pesquisas. A exposição ''Fios e Tramas'', que abre hoje no Museu de Arte de Londrina, reúne alguns trabalhos construídos a partir dessas experimentações.
A mostra será aberta às 19h30 e traz esculturas, objetos e gravuras. A Banda de Músicos de Londrina foi convidada para animar a vernissage. ''A maioria das peças foi feita com arames revestidos com fios de seda. O ambiente é de beleza e leveza, já que praticamente 90% das obras são brancas'', diz o artista.
Ao circular pela sala, o visitante poderá observar figuras abstratas ou identificar uma lâmpada, um caracol ou um abajur entre as formas insinuadas. ''Cada espectador deve fazer a sua interpretação da obra, que pode remeter tanto a um peixe, a um globo ou a uma nave espacial. O interessante é o mistério'', salienta Francisco.
Algumas peças em cerâmica são inspiradas na arquitetura. ''Essa é uma outra vertente de meu trabalho. Será uma honra mostrá-la num museu cujo desenho arquitetônico tem a assinatura de Villanova Artigas'', assinala. Ele conta que alguns trabalhos foram confeccionados adotando a técnica japonesa Mawata, bastante utilizada para o enchimento de quimonos, edredons e vestuário pesado em geral.
Nascido em Paranavaí (PR) em 1951, Francisco decidiu enveredar pelo mundo das artes aos 40 anos. ''Comecei um pouco tarde, mas na verdade eu sempre tive um olhar para arte'', revela. ''Era um colecionador e acompanhava a carreira de minha esposa, Maria de Francisco, que é artista e trabalha com aquarela. Fui treinando o olhar até que chegou um dia e falei: é hora de colocar a mão na massa.''
Suas primeiras criações foram esculturas em argila tramadas com arames e fios de cabos telefônicos. Quando descobriu o casulo do bicho-da-seda, constatou que ''tinha tudo a ver'' com o que já fazia e logo incorporou a seda como matéria prima para suas peças. Posteriormente, variou sua produção trabalhando com cerâmica e técnicas diversas de gravura.
O artista conta que, com suas obras, deseja ''transmitir a ideia de que os seres humanos têm uma grande capacidade de transformar as coisas''. ''Eu transformei uma luminária num caracol'', afirma, referindo-se a uma das peças selecionadas para sua primeira exposição em Londrina.
Em Curitiba, Francisco realiza exposições individuais desde 1997, tendo obras apresentadas na Casa João Turin, Museu Alfredo Andersen, Casa Culpi e Galeria da Caixa. Fez individuais também em Ponta Grossa, Araucária, Maringá, Cascavel, Paranavaí, Joinville (SC) e Florianópolis (SC). Participou ainda de inúmeros salões como o ''11º Salão Paulista de Arte Contemporânea do MAC/USP''(2006), em São Paulo; o ''12º Salão Paulista de Arte Contemporânea da Casa das Rosas'' (2008), em São Paulo; o ''Projeto Percurso - Gravura Contemporânea'' (2006) no Museu de Artes do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS); e o ''IV Salão Victor Meirelles'' (1996), em Florianópolis (SC).
Ao longo desse percurso conquistou alguns troféus, como o Prêmio Museu Alfredo Andersen no 16º Salão Paranaense de Cerâmica, realizado em Curitiba, em 2004; a ''Medalha de Ouro'' no XX Salão de Arte Contemporânea de Limeira (1995); o ''Prêmio Aquisição'' no 35º Salão de Artes Plásticas Para Novos (1994), em Assis Chateaubriand (PR); e a ''Menção Especial do Júri'' no 7º Salão Joinville de Artes Plásticas (2005), de Joinville.
Serviço:
- Exposição ''Fios e Tramas'' de Valdir Francisco
Quando - Abertura hoje às 19h30. Visitação até 14 de abril, de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h
Onde - Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 249)
Quanto - Entrada franca
Informações - (43) 3337-6238 e 3334-3977


