Se "I Love Paraisópolis" tivesse ido ao ar há 10 anos, teria tudo para ser uma novela qualquer, daquelas que ninguém se lembra. Com história óbvia, bom elenco e direção apenas eficaz, o folhetim assinado por Alcides Nogueira e Mário Teixeira se destacou, justamente, por sua falta de ousadia. Em um momento de produções mais complexas e com personagens que fogem do maniqueísmo, a atual trama das sete se beneficiou por ser tradicional e, em grande parte, pelos deslizes alheios. Com títulos fracos às nove da noite, como "Babilônia" e "A Regra do Jogo", a novela protagonizada por Bruna Marquezine e Maurício Destri acabou dando relevância ao combalido horário das sete. E se revelou a "pedra no sapato" de Gilberto Braga e João Emanuel Carneiro, garantindo mais audiência por muitos e muitos capítulos.
Com média geral em torno de 25 pontos até outubro, "I Love Paraisópolis" tem a seu favor o carisma de seus personagens. Principalmente, os protagonistas. Na pele de Marizete e Benjamim, Bruna e Maurício personificaram a clássica história da gata borralheira e do príncipe encantado, com altas doses de identificação com o público jovem que a trama angariou. Para completar, Grego, o vilão de "araque" de Caio Castro, e o "peso leve" Margot, de Maria Casadevall, valorizaram a história de amor principal e ainda conseguiram se destacar. No entanto, a atuação segura e no tom certo da tríade Bruna, Maurício e Maria contrasta com o desempenho limitado de Castro.
Sem se comprometer, a história segue bem à risca a máxima de "quem é bom é bom, quem é ruim é péssimo". Os personagens não apresentam mistérios e algumas falhas graves ocorreram sem que a trama perdesse público. Na falta de um bom antagonista, os autores resolveram recorrer ao experiente Lima Duarte e seu Dom Peppino, sujeito inescrupuloso que tomou o título de vilão mór de Grego e do casal Soraya e Gabo, de Letícia Spiller e Henri Castelli.
O tão propagado núcleo cômico capitaneado por Tatá Werneck prometeu muito, cumpriu pouco e foi apenas funcional. Tanto que a espevitada Danda acabou perdendo, gradualmente, espaço na trama. Atentos ao público e ao bom elenco que tinham em mãos, a dupla de autores foi esperta ao utilizar de forma certa o talento de intérpretes que, há tempos, não tinham chance de brilhar, casos de Nicette Bruno, Ângela Vieira e Danton Mello. Com ar de novidade, mas basicamente um folhetim, "I Love Paraisópolis" soube usar os prós e contras a seu favor.

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