Trajetória plural
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Anna Bittencourt<br>TV Press 
Priscila Steinman gosta de trabalhar. Por isso, não tem medo de se lançar em projetos de diferentes vertentes. No ar como a dúbia Sofia de "Totalmente Demais", ela concilia trabalhos como atriz e roteirista tanto na tevê, quanto no teatro e no cinema. "Meu processo criativo é múltiplo. Não posso interromper nenhuma dessas atividades. Meu trabalho de atriz é permeado pelo meu lado roteirista", enfatiza.
O convite para integrar o elenco da novela das sete partiu de Rosane Svartman e Paulo Halm, que assinam o folhetim e já haviam trabalhado com Priscila em "Malhação". Quando cursava a faculdade de Cinema, na PUC do Rio de Janeiro, a atriz foi apresentada à autora por uma professora. "Ela estava atrás de jovens autores e me encomendou alguns textos. Fiz e fui aprovada. Mais do que um trabalho, ela me deu um emprego. Sempre escrevi, mas nunca profissionalmente", entrega.
Após o trabalho na temporada de 2013 de "Malhação", Priscila sentiu saudade de atuar. O caminho para integrar o elenco da novela das sete foi natural. No folhetim, Sofia, sua personagem, já começa a história morta. Através da sua trajetória, contada em "flashbacks", a trama de outros personagens vai se desenrolando. "No início, ela era uma jovem promissora que teve a vida interrompida por um acidente trágico. Aos poucos, ela foi mostrando que não era tão cândida como todos achavam", explica.
O trabalho de composição, ao lado do preparador de elenco Eduardo Milewicz, foi complicado. Afinal, em determinado momento de "Totalmente Demais", seria revelado que Sofia levava uma vida dupla e se passava também por Nina. "Não podia cair no erro de fazer duas personagens. Mesmo se intitulando Sofia e Nina, ela é uma pessoa só. Com várias facetas, como todos somos", diferencia.
Para desenhar a personalidade de Sofia, Priscila contou com a ajuda de sua porção autora. "Precisava entender como ela era tão solar em casa e cometia delitos na rua", conta. Por isso, desenvolveu um diário para sua personagem. A fórmula é simples: para cada cena que recebe dos autores, a atriz escreve o antes e depois de sua personagem em um caderno. Assim, consegue achar motivações e fazer as cenas de forma mais crível. "A família projetou nela uma perfeição na qual ela acreditou por um tempo. Mas Sofia gosta da aventura, da adrenalina do risco e do erro", defende.
Aos 27 anos, a carioca tem uma longa trajetória com os palcos. Priscila entrou para o Tablado importante curso no Rio de Janeiro com nove anos. Aos 18, deixou as aulas de teatro para ir para Israel com um grupo de amigos. Por um ano, integrou um movimento juvenil de educação não-formal. Lá, exerceu atividades que iam desde jardinagem à palhaça terapêutica. "Foi uma época muito especial de aprendizado, experimentação e autoconhecimento", define.


