Priscila Steinman gosta de trabalhar. Por isso, não tem medo de se lançar em projetos de diferentes vertentes. No ar como a dúbia Sofia de "Totalmente Demais", ela concilia trabalhos como atriz e roteirista tanto na tevê, quanto no teatro e no cinema. "Meu processo criativo é múltiplo. Não posso interromper nenhuma dessas atividades. Meu trabalho de atriz é permeado pelo meu lado roteirista", enfatiza.
O convite para integrar o elenco da novela das sete partiu de Rosane Svartman e Paulo Halm, que assinam o folhetim e já haviam trabalhado com Priscila em "Malhação". Quando cursava a faculdade de Cinema, na PUC do Rio de Janeiro, a atriz foi apresentada à autora por uma professora. "Ela estava atrás de jovens autores e me encomendou alguns textos. Fiz e fui aprovada. Mais do que um trabalho, ela me deu um emprego. Sempre escrevi, mas nunca profissionalmente", entrega.
Após o trabalho na temporada de 2013 de "Malhação", Priscila sentiu saudade de atuar. O caminho para integrar o elenco da novela das sete foi natural. No folhetim, Sofia, sua personagem, já começa a história morta. Através da sua trajetória, contada em "flashbacks", a trama de outros personagens vai se desenrolando. "No início, ela era uma jovem promissora que teve a vida interrompida por um acidente trágico. Aos poucos, ela foi mostrando que não era tão cândida como todos achavam", explica.
O trabalho de composição, ao lado do preparador de elenco Eduardo Milewicz, foi complicado. Afinal, em determinado momento de "Totalmente Demais", seria revelado que Sofia levava uma vida dupla e se passava também por Nina. "Não podia cair no erro de fazer duas personagens. Mesmo se intitulando Sofia e Nina, ela é uma pessoa só. Com várias facetas, como todos somos", diferencia.
Para desenhar a personalidade de Sofia, Priscila contou com a ajuda de sua porção autora. "Precisava entender como ela era tão solar em casa e cometia delitos na rua", conta. Por isso, desenvolveu um diário para sua personagem. A fórmula é simples: para cada cena que recebe dos autores, a atriz escreve o antes e depois de sua personagem em um caderno. Assim, consegue achar motivações e fazer as cenas de forma mais crível. "A família projetou nela uma perfeição na qual ela acreditou por um tempo. Mas Sofia gosta da aventura, da adrenalina do risco e do erro", defende.
Aos 27 anos, a carioca tem uma longa trajetória com os palcos. Priscila entrou para o Tablado – importante curso no Rio de Janeiro – com nove anos. Aos 18, deixou as aulas de teatro para ir para Israel com um grupo de amigos. Por um ano, integrou um movimento juvenil de educação não-formal. Lá, exerceu atividades que iam desde jardinagem à palhaça terapêutica. "Foi uma época muito especial de aprendizado, experimentação e autoconhecimento", define.

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