O Capital Inicial experimentou dois ciclos em sua trajetória. Vinculada à geração-80 do pop nacional, a banda viveu o apogeu e a agonia, mas teve a carreira recauchutada após gravar um disco acústico produzido pela MTV em 2000. O álbum vendeu mais de 800 mil cópias, um número surpreendente para o currículo do grupo.
O trabalho contribuiu para a renovação da platéia que passou a ser constituída por meninos e meninas de 15 anos. A banda, porém, sempre gerou desconfiança na imprensa musical. A aprovação do público raras vezes foi acompanhada pelo aval dos críticos. Dinho e seus companheiros se notabilizaram pelo percurso errático, atuando como coadjuvantes de bandas contemporâneas como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso.
Emplacaram alguns sucessos, sucumbiram depois a um rodízio de integrantes e sumiram do mapa. O retorno às paradas veio em 1998 com o lançamento do álbum ''Todos os Olhos'', quando os remanescentes decidiram retomar a formação original com Dinho Ouro Preto (vocal), Flávio Lemos (baixo), Fê Lemos (bateria) e o ex-Loro Jones (guitarra).
Dois anos depois, eles aceitaram o convite da MTV para gravar o álbum revisionista sentados nos banquinhos com seus violões.
Foi uma guinada na trajetória, materializada não só na vendagem do CD como com a bem-sucedida turnê que durou três anos. Posteriormente, o grupo retornou ao estúdio e saiu de lá com o CD ''Rosas e Vinho Tinto'' (2002). Depois, já com o guitarrista Yves Passarelli no lugar de Loro Jones, lançou ''Gigante'' e o projeto ''MTV Especial - Aborto Elétrico'' no qual registrou o repertório da lendária primeira banda de Renato Russo.
''Eu Nunca Disse Adeus'', o 13º álbum de carreira, chega agora às lojas com os mesmos três ou quatro acordes e as letras diretas que fazem a garotada pular e cantar durante os shows. Os tiozinhos resistem.(N.S.)

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