'Trair e Coçar é só Começar' comemora 25 anos
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segunda-feira, 04 de abril de 2011
Karina Trevizan <br> Agência Estado 
São Paulo - Quase 6 milhões de espectadores em cerca de 9 mil apresentações, além da presença no ''Guinness Book'' (nas edições de 1994, 95, 96 e 97) como a mais longa temporada ininterrupta em cartaz do teatro nacional. Esses são os números da peça ''Trair e Coçar é só Começar'', que neste mês completa 25 anos de apresentações ininterruptas. ''Acredito que o 'Trair e Coçar' foi a única peça a ficar em cartaz em dois teatros em São Paulo simultaneamente'', diz o atual produtor do espetáculo, Radames Bruno. Para marcar o 25.º aniversário da peça, o autor e também ator Marcos Caruso lançou o texto em livro, pela Editora Benvirá (um selo da Saraiva). A publicação também traz o número de intérpretes que já encenaram a obra. ''É ponto para a cultura brasileira, uma vitória do bom humor'', diz o autor sobre o sucesso da peça. O espetáculo continua em cartaz no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo.
Quando escreveu a peça, esperava que ficasse 25 anos em cartaz?
Marcos Caruso Eu sabia que ia ser bem-sucedida dentro do que se propunha, que era fazer rir. Mas o sucesso foi crescendo. Quando chegou aos dois anos em cartaz, era um recorde. Quando completou 5 anos, eu já fiquei assustadíssimo. Depois vieram os 10 anos, 15, 20...
A quê você credita esse sucesso?
(M.C.) Eu acredito que existem três grandes razões para o sucesso da peça. A primeira é que, quando estreou, a montagem era brilhante, a união de qualidade entre a produção e o elenco era muito forte. Havia acabado de acontecer a abertura política do Brasil e o público voltou a ver autores nacionais no teatro. Outro ponto é que o teatro brasileiro aceita melhor a comédia, historicamente. E também pelo fato de a empregada ser reconhecível como um personagem que não tem nada a perder e faz a crítica aos patrões e ao poder com uma ingenuidade que faz com que a plateia se torne cúmplice.
Após 25 anos, a peça continua atual. Foi uma preocupação fazer uma história atemporal para que ficasse mais tempo em cartaz?
(M.C.) Não foi nada proposital. Eu escrevi ''Trair e Coçar'' por necessidade, estava desempregado havia cinco meses. Se a necessidade é mãe da criatividade, o espetáculo é uma prova disso.


