A julgar pelos resultados na tela, Jack Nicholson, Robert De Niro e Al Pacino há um bom tempo desistiram de seus agentes e passaram eles mesmos a selecionar os roteiros. O critério, quero crer, são as montanhas de dólares, porque qualidade que é bom... Nicholson até garantiu seu gênero cativo na primeira fila do Kodak Theatre, de onde há anos, na noite do Oscar, faz ao vivo o papel-de-si-mesmo-alucinado que repete à náusea na tela, e ainda serve de ''escada'' interativa-marqueteira para o âncora do momento. A este time parece ter se juntado agora Morgan Freeman, que ainda tem contribuição a dar sem se dar a este tipo de desgaste.
''Antes de Partir'', que chega hoje ao circuito nacional, fala sobre os últimos dias de dois homens muito diferentes entre si e que esperam a morte pelo câncer irreversível no quarto compartilhado de um hospital. Cole (Nicholson) é o milionário excêntrico e solitário que fez fortuna administrando hospitais; Carter Chambers (Freeman) é o cidadão simples, de família, dotado de memória enciclopédica. Decidem passar de melhor forma os últimos meses de vida. Viajando pelo mundo, praticando esportes, comendo do bom e do melhor.
Tratando-se de tema assim, o filme não poupa nenhum dos clichês previsíveis: lições de moral, lições de vida e redenção. Nada contra estes recursos emocionais no envolvimento do espectador. O que se discute é como se trata um tema que, de resto, nada tem de original. O diretor Rob Reiner, que saiu dos anos 1980 com dois títulos expressivos (''Conta Comigo'' e ''Harry e Sally, Feitos um Para o Outro''), vai durante os 90 minutos de filme colecionando decepções, que podem se resumir em sensacionalismo, demagogia, manipulação e falta de sutileza de um roteiro onde se multiplicam cenas já vistas dezenas de outros filmes. Um autêntico e irreversível desperdício.(C.E.L.J.)

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