Tragédia grega "Édipo Rei" é encenada no TBC
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 17 (AE) - Uma cidade flagelada. Cidadãos inseguros, sofrendo toda sorte de privações. Depois de muitas investigações e ameaças, descobre-se que a causa da praga que assola a cidade reside no palácio real, mais precisamente no comportamento do governante principal - uma descoberta feita a partir de sua relação conjugal. Em qual cidade tudo isso ocorre? Tebas, local da versão de Sófocles para a tragédia "Édipo Rei" que, encenada por Marcio Aurelio, com seis atores do curso de artes cênicas da Universidade de Campinas, estréia amanhã (18) no Teatro Brasileiro de Comédia. "Nada mais pertinente nos dias atuais do que uma tragédia como "Édipo", que faz uma reflexão sobre os limites entre o público e o privado, sobre as consequências do comportamento dos governantes na vida dos cidadãos", observa o diretor. Em tempos de hegemonia dos meios de comunicação de massa, os escândalos com os governantes acabam virando espetáculo para consumo público, na maioria das vezes esvaziados de qualquer reflexão. Não é o caso das tragédias gregas, em que o coro cumpre o papel de refletir sobre os fatos e o comportamento dos personagens.
Trabalhando com apenas seis atores, Marcio Aurelio tirou proveito da limitação fazendo todo o elenco revezar-se entre personagens e coro. "Isso acabou resultando num efeito de linguagem interessante", diz. Os atores ora contracenam no espaço fechado da caixa teatral, no seu espaço privado, ora falam diretamente com o público, na função de coro, como se fossem capazes de distanciar-se e criticar suas ações.
A encenação foi criada como exercício de fim de curso na universidade, mas a qualidade do elenco estimulou o diretor a levar a montagem para o circuito profissional. E não foi o único motivo. "Considero uma função da universidade pública retribuir à comunidade a oportunidade dela recebida de aprofundar o conhecimento".
Foi Gabriel Villela - diretor artístico do TBC - quem abriu espaço para a temporada do grupo, estimulado pela qualidade do trabalho. "Ele quer criar dentro do TBC um espaço para esse tipo de trabalho", diz Marcio Aurelio. "Considero importante a existência de salas com esse perfil", diz. Ou seja
salas que atraiam um espectador interessado em conferir o trabalho de jovens que estão dando seus primeiros passos no circuito profissional. Serviço - "Édipo Rei". Tragédia. De Sófocles. Direção de Marcio Aurelio. Duração: 60 minutos. Terça e quarta, às 20h30. R$ 10,00. TBC - Sala TBC. Rua Major Diogo, 315, tel. 3115-4622. Até 17/5


