Montar um espetáculo baseado na mitologia grega requer um nível de exigência nem sempre alcançado por companhias brasileiras de teatro, tal a complexidade do tema e a diversidade de referências a ser pesquisada.
A Cia Teatro Balagan, de São Paulo, viveu nos últimos anos a experiência desafiadora de encenar a peça "Prometheus – a Tragédia do Fogo", centrada no mito de Prometeu, um dos deuses do Olimpo, de acordo com as narrativas legadas três mil anos atrás.
A se levar em conta a trajetória da montagem nos palcos, o risco do fracasso foi vencido com a conquista do Prêmio Shell de Teatro (nas categorias Música e Figurino), além de inúmeras indicações e convites para apresentações em festivais internacionais (em Avignon e Edimburgo).
"Prometheus – A Tragédia do Fogo" será atração hoje e amanhã, às 20h, na Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL (Av. Celso Garcia Cid, 205), em Londrina. A entrada é gratuita, mas o público deverá retirar os convites com uma hora de antecedência no local. As sessões são limitadas a 100 pessoas.
O grupo também realizará uma oficina amanhã, das 9h30 às 12h30, conduzida pelos atores Leonardo Antunes e Natacha Dias. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: [email protected].
O Balagan esteve na cidade em 2012 participando do Filo (Festival Internacional de Londrina) com a peça "Recusa", também contemplada com vários premiações nacionais.
Desta vez, a visita faz parte de uma turnê pela região Sul do País, viabilizada pelo programa de circulação da Petrobras Distribuidora S.A e que inclui apresentações em Paranaguá (PR) e três cidades catarinenses (Itajaí, Joinville e Blumenau). "Não montamos espetáculos comerciais, para grandes plateias, daí a importância desses editais. Sem o apoio deles, dificilmente teríamos condições de sair de São Paulo", diz a diretora Maria Thaís.
"Prometheus" conta a saga de Prometeu, criador do homem, a quem deu o fogo roubado de Zeus, a grande divindade do Olimpo. Ensinando os homens a usar o fogo, permite e estes a criação da civilização ocidental como a conhecemos com a aritmética, as artes, a domesticação dos animais e o dom das profecias. Zeus, enfurecido, decide acorrentá-lo ao Cáusaso, a cordilheiro entre o mar Negro e o Cáspio, para que uma águia devore seu fígado por anos a fio.
O relato traz outros personagens e acontecimentos paralelos, como Pandora, Epimeteu, a separação dos deuses e dos homens e a separação do homem e da natureza – tudo que compõe o mito prometéico. A dramaturgia, construída por Leonardo Moreira, articula diversas fontes literárias, reunindo desde fragmentos de tragédias de Ovídio e Ésquilo a trechos de Hesíodo, Kafka, Goethe, Pirandello, André Gide e Kazantzakis.
A diretora explica que a montagem é uma "releitura de um mito grego". "Essas histórias", salienta ela, "são contadas e revistas há séculos porque tratam do homem, de nossas origens e do que somos. Os mitos são superatuais. A literatura que os jovens leem hoje, com seus heróis, são os mitos recontados."
Thaís lembra que a montagem foi concebida em 2008, mas ganhou o formato atual em 2011. "Diferentemente de nossas outras peças, esta foi construída ao longo das temporadas. Fizemos várias mudanças até chegar à versão final. A cada apresentação, alterávamos algum elemento, seja o texto ou o figurino. A complexidade do tema exigiu essa dinâmica", diz.
A encenação, ainda que tenha a palavra como meio expressivo, é tecida a partir das relações, paralelos e fricções com outras matérias expressivas: o espaço cênico, a sonoridade, os cantos gregos e as danças afro-brasileiras. A trilha sonora original, composta por Gregory Slivar, é uma voz narrativa e se baseia na voz humana e na sonoridade de instrumentos artesanais especialmente construídos para o espetáculo – pedras, vasos, bastões, etc.
Ancorada na preparação vocal realizada pelo ator e músico Jean Pierre Kaletrianos - que transmitiu aos atores cantos e trechos de textos em grego - a vocalidade que surge do Coro, como elemento mediador de toda ação cênica, é responsável pela teia sonora da montagem. Um espetáculo, enfim, para ver e ouvir.

Serviço:
"Prometheu – A Tragédia do Fogo" com a Cia de Teatro Balagan (SP)
Quando - Hoje e amanhã, às 20h
Onde - Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL (Av. Celso Garcia Cid, 205), em Londrina
Classificação etária - Até 12 anos, acompanhado pelos pais
Entrada – Gratuita. Convites devem ser retirados com 1 hora de antecedência
Informações - (43) 3322-1030 e 3324-8694

Oficina com Leonardo Antunes e Natacha Dias
Quando - Amanhã, das 9h30 às 12h30
Onde - Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL
Inscrição - Gratuita
E-mail - [email protected]

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