Tradutores do mundo todo estão reunidos em Arles
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de novembro de 2001
France Presse 
São eles os que tornam possível a leitura de Proust em persa, Joyce em romeno ou Kafka em hebraico: tradutores literários do mundo inteiro iniciaram ontem em Arles (sudeste da França) um encontro de três dias reservados ao diálogo com autores, editores, críticos e leitores.
O Colégio Internacional de Tradutores Literários é o anfitrião deste fórum que é realizado há dezoito anos em Arles.
Na sede da reunião, todos os assentos já estão reservados para escritores como Umberto Eco (Itália), Ismail Kadaré (Albânia) e Mario Vargas Llosa (Peru), que já participaram de outras edições para conversar com seus porta-vozes em outros idiomas; e 800 tradutores profissionais que já passaram pelo Colégio.
Claude Bleton, diretor do Colégio, diz que ''a única língua comum em toda a Europa é a tradução''. ''Se queremos que os europeus se sintam parte integrante de uma sociedade heterogênea, é necessário que as obras circulem'', sustenta Bleton, também tradutor emérito de espanhol.
Mas para ele, é preciso trabalho individual e minucioso dos tradutores. Na biblioteca do Colégio, em meio a 20.000 obras especializadas, uma professora eslovaca traduz desde outubro a peça teatral ''Esperando Godot'' de Beckett. Antes dela, uma bolsa de estudos francesa deu o direito a um iraniano de trabalhar na tradução para o persa da obra ''Em Busca do tempo perdido'' de Marcel Proust, enquanto um romeno traduzia um livro de Claude Levi-Strauss.
Ontem, uma mesa redonda reuniu tradutores da novelista francesa Colette (1873-1954) para espanhol, dinamarquês, italiano e russo. Hoje, os trabalhos serão dedicados à obra de Franz Kafka (1883-1924).
Dois tradutores satisfeitos, os franceses Liliane e Noel Dutrait, apresentarão um seminário. Em outubro de 2000, eles tiveram uma ''imensa alegria'' porque o prêmio Nobel de Literatura foi atribuído ao escritor chinês Gao Xingjian, à tradução de cuja obra para o francês dedicaram cinco anos de trabalho.


